Andifes constata aumento de pobres e negros nas universidades federais com Lei de Cotas

De acordo com levantamento feito pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), as classes D e E tiveram importante crescimento nas universidades federais entre 2010 e 2014 por causa das cotas sociais e raciais.

“Tivemos uma mudança significativa no perfil dos estudantes, sobretudo depois da Lei das Cotas, o que comprova que o discurso de que só estudam filhos de ricos nas universidades federais, é um mito”, afirma Ângela Paiva Cruz, presidenta da Andifes.

Em 2014, 66,19% dos alunos vinham de famílias com renda per capita de até R$ 1.320; em 2010, eram 44%. Já os estudantes de famílias com renda de até R$ 2.640 passaram de 40,66% para 51,43%, enquanto que, no patamar de renda entre R$ 7.920 e R$ 8.800 o índice de estudantes caiu de 6,57% para 2,96%.

“As políticas afirmativas foram criadas para igualar as oportunidades. Para isso, é fundamental corrigir as distorções históricas que relegaram negros, índios e pobres, impedindo o ingresso deles no ensino superior”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

“A partir deste estudo da Andifes nós poderemos trabalhar de forma mais eficiente para que os programas e ações em educação, tenham continuidade afim de produzir os efeitos esperados pela sociedade”, diz a coordenadora da Frente Parlamentar Mista pela Valorização das Universidades Federais, deputada Margarida Salomão (PT-MG).

Para Cruz, “o mito de que a universidade federal é para elite está sendo destruído”. Mas ela faz uma ressalva porque para acabar com a “educação elitista” são necessários mais de 15% de jovens no ensino superior.

Pela pesquisa, o Brasil conta com 17% dos jovens nas universidades, mas o número considerado ideal pela Andifes, seria a presença de 34% de jovens no nével superior. Importante também o crescimento da presença de alunos negros e pardos.

Veja a pesquisa completa aqui.

Em 1997 eram 2,2% pardos e 1,8% negros. Em 2014 esse número subiu para 47,57%, entre negros e pardos. “O levantamento mostra a importância das cotas para corrigir a discrepância entre pobres e ricos e negros e brancos nas universidades”, reforça Custódio.

O levantamento comprova a bandeira do movimento estudantil de que os estudantes necessitam de ajuda de custo para se manterem nas universidades. De acordo com a Andifes, 45,72% dos estudantes disseram não ter mais do que 5 horas extras para estudar. Outros 42% responderam que a dificuldade financeira atrapalha o desempenho.

Importante melhorar o Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). “Sem a assistência fica difícil os jovens se manterem em seus cursos, porque precisam de transporte, alimentação e comprar seus materiais”, diz Custódio.

Para a presidenta da CTB no Amazonas, Isis Tavares, a pesquisa da Andifes reforça a necessidade de os docentes atuarem com mais firmeza em defesa de seus direitos e de melhores condições estruturais para as escolas no país.

De acordo com ela, os avanços aconteceram por causa da “muita luta dos docentes e estudantes e das políticas públicas criadas nos governos Lula e Dilma e que acora correm riscos de serem extintas”.

Tavares ataca também a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016 que se aprovada, “acaba com o Plano Nacional de Educação e com toda as possibilidades de uma educação pública, com qualidade e liberdade”.

Asssista o vídeo Alerta à sociedade: PEC 241/2016, com Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação 

 

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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