Alckmin joga racionamento de água nas costas dos trabalhadores

As tão desejadas chuvas para encher os reservatórios do Sistema Cantareira não atingem o nível desejado e o problema se  agiganta pela falta de disposição do governo estadual em tomar as  medidas cabíveis. A mesmo tempo em que a falta de água aflige a população, as chuvas causam os temores de inundações. Dois problemas de um governo só.

Está cada dia pior a situação do volume de água no Sistema Cantareira que na segunda-feira (24) atingiu o pior índice de sua história e chegou a 17,1% da capacidade dos reservatórios. Rene Vicente dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), argumenta que faltou “decisão política” ao governador Geraldo Alckmin em promover o racionamento de água. “O governador jogou com a sorte, esperando que chovesse o suficiente para encher os reservatórios, como isso não aconteceu vem agora falando em ‘decisão técnica’, jogando tudo nas costas largas dos trabalhadores”, ressalta.

“não se pode na atual conjuntura esperar pela natureza, já temos tecnologia suficiente para prever os períodos de estiagem e tomar medidas de captação de água que cubra essa deficiência temporária”, explica Santos. Como isso não ocorreu e, em ano eleitoral o governo estadual se vê agora na contingência e um racionamento com rodízio no fornecimento de águas mais radical do que se tivesse tomado medidas preventivas e se a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) investisse em recursos para melhorar a capacidade de reserva e captação de água no sistema, pondera o sindicalista.

A falta de chuvas aliada aos parcos investimentos na captação de água do governo paulista levou o sistema, responsável pelo abastecimento da metade da população da região metropolitana de São Paulo, a essa situação. Até o momento, choveu apenas 54,5 milímetros em fevereiro, 27% da média histórica de 202,6 milímetros registrada no mês. Segundo os dirigentes da estatal, o volume pluviométrico não chegou a 70% da média histórica. Foram registrados 1.090 milímetros contra os 1.566 milímetros de chuva que caem em média por ano. 

Para piorar ainda mais a situação dos 80 municípios atendidos pelo Sistema Cantareira, a diretoria da Sabesp e o governo tucano do estado enfrenta mais uma acusação gravíssima de corrupção. Matéria veiculada no portal da revista Carta Capital atinge em cheio o núcleo do PSDB paulista, assim como nas acusações referentes ao Metrô e à Companhia de Trens Metropolitanos do estado. Fabio Serapião em seu blog afirma que “uma análise dos contratos assinados para execução de serviços relacionados aos programas de ‘Redução de Perdas’ e ‘Uso Racional da água’ expõe a promiscuidade entre o órgão público e empresas do setor de saneamento ligadas a ex-diretores da estatal. Além disso, as contratações sugerem uma explicação para o fato de, entre 2008 e 2013, período em que recebeu R$ 1,1 bilhão, o programa de perdas não ter alcançado sua meta de 30,6% de perdas reais”.

“O jornalista da Carta Capital traz acusações que devem ser investigadas com severidade”, acentua Santos. Ele argumenta ainda que “o governo não pode jogar a culpa do desabastecimento de água nos trabalhadores. Faltou vontade política do governador para impedir que a situação chegasse ao ponto em que chegou.” Para Santos, “a situação dos reservatórios do Sistema Cantareira extrapola os limites do bom senso e o racionamento é inevitável”.

Fabio serapião denuncia a intimidade de ex-dirigentes da Sabesp com empresas prestadoras de serviços à estatal. Gésner de oliveira, por exemplo, que foi “presidente da Sabesp por indicação do então governador José Serra (PSDB)” e atualmente “ocupa o cargo de conselheiro na Miya Brasil, braço da multinacional Miya Group, que tem sede no paraíso fiscal de Luxemburgo e atua no Brasil como principal acionista da mesma BBL Engenharia” e foi vencedora da licitação para prestar serviços à Sabesp. As denúncias do blogueiro Serapião mostram que as deficiências dos serviços do estado de São Paulo só poderão ser sanados com vontade política.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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