Em discurso durante simpósio mundial, Adilson Araújo celebra os 70 anos de luta da FSM

Discurso do presidente da CTB, Adilson Araújo, no simpósio internacional que celebra em São Paulo entre hoje e sábado os 70 anos da Federação Sindical Mundial (FSM)

Companheiras e companheiros,

É motivo de muito orgulho e satisfação para a CTB a realização do simpósio que comemora os 70 anos de fundação da Federação Sindical Mundial na cidade de São Paulo.

A FSM nasceu em 3 de outubro de 1945, logo após a derrota do nazi-fascismo, com o firme compromisso que mantém até hoje de praticar um sindicalismo classista, fiel aos interesses imediatos e futuros da classe trabalhadora, contra o sistema capitalista, contra a ordem imperialista mundial, contra a guerra, pelo direito das nações à autodeterminação, pela paz, pelo desenvolvimento dos países mais pobres com soberania e valorização do trabalho e pelo socialismo.

Contrapõe-se, neste sentido (ontem, hoje e sempre), ao sindicalismo orientado por concepções reformistas, que aposta na conciliação com o imperialismo, na colaboração de classes, na parceria capital-trabalho e cujo horizonte não ultrapassa os estreitos limites do capitalismo. É este o caso da Confederação Sindical Internacional (CSI).

Por estas e outras razões, compartilhando os mesmos objetivos revolucionários e classistas, a CTB decidiu se filiar à FSM já em seu congresso de fundação, celebrado em dezembro de 2007.

Nessas décadas de existência e luta, a FSM sempre manteve sua coerência e advogou a mais ampla unidade dos trabalhadores e trabalhadoras, praticando o internacionalismo proletário e participando das vitórias e também dos reveses colhidos pela nossa classe no curso de inúmeras batalhas.

A FSM enfrentou o vendaval neoliberal que acompanhou a derrota histórica do socialismo simbolizada pela derrubada do Muro de Berlim, em 1989, e a dissolução da URSS, em 1991. Apesar dos golpes sofridos, manteve-se de pé, altiva, ancorada nas bases, nas concepções e valores classistas, na oposição intransigente à exploração capitalista e à opressão imperialista, na indeclinável defesa do socialismo. É uma trajetória que podemos considerar sob diferentes aspectos como vitoriosa.

Todavia, são muitos os desafios que se colocam à nossa luta. Hoje, provavelmente mais do que em qualquer outro momento da história, faz-se necessária a presença ativa e forte do sindicalismo classista e da nossa querida FSM na linha de frente da luta de classes. Vivemos um momento singular, desafiador, marcado pelo aguçamento da crise mundial do capitalismo e pela ofensiva das forças neoliberais e do imperialismo nos quatro cantos do planeta.

A resposta dos capitalistas e do capitalismo à crise é o aumento brutal do desemprego em todo o mundo, o arrocho dos salários, o corte de direitos e benefícios trabalhistas e previdenciários conquistados com muita luta, o desmantelamento do chamado Estado de Bem-Estar Social na Europa, as guerras fomentadas pelas potências capitalistas, a perspectiva da barbárie e do neofascismo.

É este cenário histórico, francamente hostil à classe trabalhadora e aos movimentos sociais, que cobra agora uma resposta clara e contundente do sindicalismo classista, uma resposta que não pode ser a capitulação ao pensamento hegemônico ou a busca ilusória e deletéria da conciliação com o capital. 

Creio que nossa resposta só pode ter uma direção, o da luta intransigente e sem trégua em defesa do bem-estar social, dos direitos trabalhistas e previdenciários, do emprego, dos salários, da saúde, educação e serviços públicos de qualidade, de mais (e não menos) investimentos do Estado.

Nas batalhas em que estão em jogo os interesses concretos e imediatos da classe trabalhadora é nosso dever apontar sem vacilações o objetivo estratégico que nos orienta nesta longa guerra de classes. Este objetivo, que a FSM jamais renegou e não há de renegar jamais, é a derrocada final do capitalismo e do imperialismo. É a construção de uma nova ordem mundial efetivamente democrática, solidária e pacífica. É a conquista do Socialismo. Disto não podemos nem iremos abrir mão. Nunca!

A longa e crônica crise do capitalismo internacional, que completa em dezembro oito anos, sugere que não cabem soluções intermediárias para os dilemas que afligem a humanidade neste dramático momento da nossa história.

Não lograremos preservar as conquistas do proletariado e avançar na direção de transformações sociais mais profundas pacificamente, sem reações e rupturas, sem derrotar a burguesia e destruir o sistema dominante. A revolução socialista é uma necessidade histórica que, contraditoriamente, brota e germina na própria crise do capitalismo como o seu contrário, a sua contrapartida, a sua necessária negação.

Mas a história também nos ensina que a revolução é uma arte, exige uma teoria (pois sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário, conforme demonstrou Lênin), assim como condições subjetivas adequadas, pois por maior que seja a crise do capitalismo ela não conduz automaticamente à sua derrocada e ao socialismo.

Pelo contrário, a experiência indica que a crise pode também levar à barbárie nazifascista, pois tal foi, no final das contas, o desfecho da Grande Depressão deflagrada pelo crash da Bolsa de Nova York em 1929. O rejuvenescimento da extrema direita na Europa e na América Latina deve ser interpretado como um sério alerta de que a possibilidade histórica da barbárie ganha força e não pode ser subestimada.

As condições objetivas, por mais que estejam dadas ou em desenvolvimento, não bastam. É necessário trabalhar diuturnamente pela criação das condições subjetivas para viabilizar uma saída revolucionária, anticapitalista e anti-imperialista, para a crise atual.

Sabemos que essas condições são dadas pela elevação da consciência da classe trabalhadora, pelo esclarecimento político do povo, pela combinação eficaz e inteligente da consciência de classe com o movimento espontâneo das massas, pela fusão do movimento social com a consciência socialista.

É forçoso reconhecer que estamos ainda longe disto e que enfrentamos enormes obstáculos nesta direção, entre eles o renitente espectro da derrota do socialismo e a desconstrução e manipulação cotidianas de consciências pela poderosa mídia burguesa. Mas vamos continuar em nosso caminho, intensificando o trabalho de esclarecimento, conscientização e mobilização das nossas bases e acumulando forças nas lutas visando a batalha final contra o sistema.

Temos a verdade por companheira e a convicção inabalável de que o capitalismo em crise não tem futuro, que a ordem imperialista hegemonizada pelos EUA se esgotou e agoniza a olhos vistos. Lutemos, pois, ainda com mais fé e com mais força, por uma nova ordem mundial, democrática e pacífica, e pelo socialismo. Assim estaremos honrando os 70 anos de luta da FSM.

Muito obrigado!

Leia as versões do discurso em Inglês e Francês 

        

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