Acuado, governo busca conciliação com STF depois de apoiar atos que pediam intervenção na Corte

A cada dia mais isolado politicamente, acuado e assustado com os inquéritos em curso no STF e a prisão de Fabrício Queiroz, o governo Bolsonaro movimenta-se em busca de uma conciliação com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ao mesmo tempo em que prossegue com o toma-lá-dá-cá com o Centrão.

Não se pode esquecer que o presidente e seus filhos estimularam desde o início ataques inconstitucionais aos ministros do STF. Mudou o tom e, sem disfarçar o constrangimento, demitiu o ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Referindo-se aos ministros da Corte, Weintraub disse na sombria reunião palaciana do dia 22 de abril que os vagabundos do STF deveriam ser presos. Saiu com a fama de pior ministro da Educação da história e, por prêmio de consolação, foi contemplado com um cargo muito bem remunerado no Banco Mundial. Sua exoneração foi o primeiro gesto de conciliação de Bolsonaro.

Foi igualmente com este objetivo que três ministros do núcleo jurídico do governo viajaram na manhã desta sexta-feira (19) para São Paulo, onde mantiveram um encontro com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O medo da Justiça e do impeachment explica a mudança de comportamento.

Estiveram na capital paulista os ministros André Mendonça (Justiça e Segurança Pública), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) e José Levi (Advocacia-Geral da União).

O grupo foi em missão de paz. Para os ministros, o objetivo do encontro, mantido inicialmente em segredo, foi promover uma aproximação.

Oficialmente, o compromisso foi para tratar dos processos sobre a terra indígena Raposa Serra do Sol; prejuízos do setor sucroalcooleiro; indisponibilidade de bens; e controle de armas e munições pelo Exército.

Mas a intenção real é a conciliação com o STF, que a princípio o Clã Bolsonaro queria fechar e Bolsonaro estimulou atos pedindo o fechamento do Supremo e do Congresso. Agora parece ter percebido que não tem forças políticas para tanto e que o andamento das investigações apontam claramente para as relações perigosas da família com a milícia carioca. Daí o recuo amedontrado.

Alexandre de Moraes é o ministro-relator dos dois inquéritos que mais interessam ao governo no Supremo Tribunal Federal: o que apura a disseminação de “fake news” e ameaças a ministros do tribunal; e o que investiga a organização de atos antidemocráticos por apoiadores do presidente, que pedem fechamento do STF, do Congresso e intervenção militar.

As relações entre Executivo e Judiciário têm sido marcadas por conflitos. Além dos dois inquéritos em tramitação, no último dia 28, Bolsonaro afirmou que “ordens absurdas não se cumprem”, em referência à operação da Polícia Federal, deflagrada na véspera, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de empresários e blogueiros aliados.

Em sessão das turmas do tribunal na última quarta, o decano Celso de Mello apontou a existência de um “resíduo de forte autoritarismo” no interior do aparelho de Estado no Brasil. O desejo acalentado por Bolsonaro de instalar um regime ditatorial no país ficou notório com os reiterados ataques do presidente e sua matilha neofascista à Constituição, às instituições da República e à democracia.

Com informações do G1

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