Acampamentos em defesa da democracia se espalham pelas capitais do país

Acampamentos em defesa da democracia ocorrem em quatro cidades brasileiras durante esta semana. Em Brasília, Porto Alegre e São Paulo (fotos), militantes já se mobilizam de forma permanente contra a tentativa de golpe no país. Na capital paraense, Belém, um acampamento está previsto para o dia 16. As mobilizações ocorrem como atividades preparatórias aos atos que devem ocorrer no dia 17, data de votação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados. Como contraponto aos golpistas, os acampamentos promovem diversas atividades, como marchas, aulas públicas e apresentações culturais.

A primeira cidade a organizar um acampamento foi São Paulo. Desde o dia 4 de abril, integrantes de movimentos populares se reúnem na Praça do Patriarca, região central da capital paulista. Para Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares e da Frente Brasil Popular, “o acampamento em defesa da democracia e contra o golpe faz um contraponto ao acampamento dos golpistas instalado na [Anveinda] Paulista, em frente à Fiesp. O acampamento deles defende o golpe, o nosso defende a democracia”.

Segundo ele, todos os dias uma aula pública é organizada às 18h no acampamento. Capital federal Militantes da Frente Brasil Popular acampam em Brasília em mobilização permanente contra a deposição de Dilma Rousseff desde o dia 11 de abril. As organizações que compõe a Frente planejam uma série de atividades na capital federal durante essa semana decisiva para o país. Cerca de 2 mil pessoas já se concentram no acampamento, espaço que cresce gradativamente a cada dia. 

A Frente Brasil Popular espera concentrar até o domingo 200 mil pessoas em Defesa da Democracia e Contra o Golpe. “O acampamento tem o objetivo de ser uma base de tensionamento, durante a semana, para barrar o golpe. É um recado da classe trabalhadora. A ideia é estar nas ruas todos os dias. Estão todos convocados para a luta”, afirma Marcos Baratto, da direção nacional do MST.

“Está em curso no Brasil uma ofensiva da classe dominante, por meio de seus braços no Congresso Nacional, no Poder Judiciário – articulado com Ministério Público e Polícia Federal e nos grandes meios de comunicação para dar um golpe contra a democracia brasileira, afastar a presidenta Dilma Rousseff e impor um programa de retrocessos políticos, sociais e econômicos no nosso país”, pontua Baratto.

Democracia e Legalidade

Em Porto Alegre, o acampamento, organizado também no dia 11, se localiza na Praça da Matriz. Maria do Carmo Bittencourt, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), explica que a praça é um espaço de resistência histórico para os movimentos sociais, local onde, em agosto de 1961, se instalava a Movimento da Legalidade, liderado pelo então governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola ao tomar conhecimento da renúncia de Jânio Quadros à presidência.

Era um movimento pela garantia da posse do vice João Goulart e em defesa da democracia brasileira. “Mais de 50 anos depois os movimentos tomam novamente a Praça da Matriz, que será um espaço de resistência e de fortalecimento da nossa luta pela democracia. Não deixaremos o Brasil dar nenhum passo atrás neste sentido”, declara Maria. Na capital gaúcha, nesta terça-feira (12), foi realizada uma “Por que o impeachment é golpe”, com o advogado Jacques Alfonsin e a ouvidora da Defensoria Pública, Denise Dora.

Afonsin afirmou que o impeachment é golpe por duas razões: não há prova de responsabilidade contra a presidenta e cabe a quem acusa comprovar, o que não houve até agora. “Todos são inocentes até que se prove ao contrário, esse princípio constitucional precisa ser respeitado”, ele lembrou. O advogado também lembrou que as pessoas com competência para conduzir o impeachment, no caso Eduardo Cunha e Renan Calheiros, têm denúncias contra si, o que compromete o proceso. Nesse sentido, Afonsin afirmou que, agora, a direita não precisa das forças armadas. “O capital monitora dentro do Congresso os seus interesses”.

Fonte: Frente Brasil Popular

 

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