Odebrecht, a multinacional verde e amarelo que a Lava Jato destruiu

A Caixa Econômica Federal, sob a orientação entreguista do governo Bolsonaro, pediu na quinta-feira (3) a falência da Odebrecht, de acordo com informações divulgadas pela agência Reuters. A iniciativa pode consumar o criminoso processo de destruição da empresa, que já foi a maior multinacional privada do Brasil.

O crime, contra os trabalhadores e os interesses nacionais, tem uma autoria proeminente. É obra da famosa Operação Lava Jato, sacralizada pela Rede Globo e outros veículos como uma cruzada moralista contra a corrupção, liderada pelo justiceiro Sergio Moro e o falastrão Deltan Dallagnol.

Operação golpista

A Vaza Jato descobriu a cara feia e corrompida da operação urdida na República de Curitiba, que abriu caminho ao golpe de Estado em 2016, a condenação sem provas e prisão do ex-presidente Lula e a eleição do neofascista Jair Bolsonaro.

Fachada da sede da Odebrecht em SP — Foto: Kevin David/A7 Press/Estadão Conteúdo
A empresa atuava em 28 países, tinha 276 mil funcionários e concorria com multinacionais americanas no mundo

O juiz ladrão, que a jugar por algumas pesquisas ainda continua enganando boa parte do nosso povo, foi recompensado pelo líder da extrema direita com o Ministério da Justiça e a vaga promessa de uma futura indicação para o Supremo Tribunal Federal.   

Para quem tem olhos críticos a submissão a Bolsonaro, que mais de uma vez expôs Moro à humilhação pública para mostrar a ele e a quem mais de direito quem é que manda, ilumina o caráter do político curitibano, que outrora desfilou fantasiado de magistrado.

As conversas comprometedoras divulgadas pelo The Intercept revelam a farsa montada com o propósito político de derrubar o governo do PT, prender o maior líder popular da história brasileira, impedindo-o de participar do pleito presidencial de 2018 e impor ao país uma política abertamente antinacional, antidemocrática e antipopular.

Ligações perigosas

Resta esclarecer muitos aspectos da controvertida operação, especialmente sobre as ligações perigosas entre os heróis da Lava Jato e os EUA. Tais relações ainda permanecem na obscuridade. Lembremos que Moro, quando foi a Washington junto com Jair Bolsonaro, fez questão de visitar a sede da CIA.

A sinistra agência de espionagem do imperialismo, hoje aparentemente ofuscada pela NSA (Agência Nacional Segurança dos EUA, que espionou Dilma, a Petrobras e a Odebrecht), esteve envolvida em golpes de Estado no Irã (1953), no Brasil (1964) e Chile (1973), entre muitos outros.

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Por que Sergio Moro visitou a sede da CIA nos EUA? Foi prestar contas?

As digitais do imperialismo também ficaram impressas no golpe de 2016. É notório que os EUA são os principais beneficiários da deposição de Dilma Rousseff e da prisão de Lula. A agenda de restauração do neoliberalismo, inaugurada por Temer e radicalizada por Bolsonaro, contemplou uma mudança radical da política externa do Brasil, novamente submissa aos desígnios de Washington.

A política entreguista em relação ao pré-sal e às estatais, alvos de sucateamento e privatização, também servem ao mesmo propósito reacionário. O amor do Clã Bolsonaro ao chefe da Casa Branca não faz bem ao Brasil, é uma afronta à soberania nacional.

A serviço do imperialismo

A destruição da maior construtora brasileira foi outro grande favor da República de Curitiba ao império. Moro e a força tarefa da Lava Jato, sempre em conluio com a Rede Globo e outros veículos da mídia burguesa e a cumplicidade do STF e líderes militares, armaram um circo em torno da prisão de altos executivos da empresa para corroborar a narrativa de que a caça aos corruptos não poupou a grande burguesia brasileira.

Ocorre que os “poderosos” eleitos pelos mocinhos da Globo contribuíram para as campanhas petistas (e também de outras legendas), estavam afinados com a política externa altiva e ativa do Itamaraty, liderada por Celso Amorim, e em confronto, objetivo, com os interesses de multinacionais estadunidenses na América Latina, África e Oriente Médio.

A concorrência no exterior é dura e a Odebrecht, um conglomerado gigante, tocava obras em 28 diferentes países. Os magnatas do ramo estão dando gargalhada nos EUA com mais esta obra da Lava Jato, um duro golpe na engenharia nacional, na economia e na projeção do Brasil no mundo.

Em julho de 2017 o então vice-procurador geral adjunto do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), Kenneth Blanco, escancarou as relações perigosas ao enaltecer o sucesso da Lava Jato, com a prisão de Lula, e o “relacionamento íntimo”, à margem das formalidades legais, entre os procuradores e o departamento que dirigia.

“Dado o relacionamento íntimo entre o Departamento de Justiça e os promotores brasileiros, não dependemos apenas de procedimentos oficiais como tratados de assistência jurídica mútua, que geralmente levam tempo e recursos consideráveis para serem escritos, traduzidos, transmitidos oficialmente e respondidos”, revelou.

A nação só tem a perder com a falência da Odebrecht. A classe trabalhadora talvez seja a principal vítima. A empreiteira empregava 276 mil trabalhadores em 2014, quando teve início a Lava Jato. Hoje tem apenas 48 mil funcionários, segundo informações divulgadas recentemente pela direção da empresa. Um corte de 82%.

Demissões em massa não ocorreram apenas na Odebrecht, mas em várias empresas abatidas pela operação que, sob a máscara do combate à corrupção, provocou um rombo estimado por alguns economistas em cerca de 2% do PIB brasileiro.

Não tenho dúvidas de que a Lava Jato fez o jogo do imperialismo e das multinacionais estadunidenses, perpetrando o que podemos classificar de crime de lesa pátria, com respaldo das classes dominantes, do Judiciário e do Congresso Nacional. Um crime que devia ser rigorosamente apurado e punido.

Reproduzo a este respeito as reflexões do saudoso historiador Moniz Bandeira que citei no livro “O golpe do capital contra o trabalho”:

“A quem serve o juiz Sérgio Moro, eleito pela revista Time um dos dez homens mais influentes do mundo? A que interesses servem com a Operação Lava Jato? A quem serve o procurador-geral da República, Rodrigo Janot? Ambos atuaram e atuam com órgãos dos Estados Unidos, abertamente, contra as empresas brasileiras, atacando a indústria bélica nacional, inclusive a Eletronuclear, levando à prisão seu presidente, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva. Os prejuízos que causaram e estão a causar à economia brasileira, paralisando a Petrobras, as empresas construtoras nacionais e toda a cadeia produtiva, ultrapassam, em uma escala imensurável, todos os prejuízos da corrupção que eles alegam combater. O que estão a fazer é desestruturar, paralisar e descapitalizar as empresas brasileiras, estatais e privadas, como a Odebrecht, que competem no mercado internacional, América do Sul e África.”

Umberto Martins

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