CTB apoia greve dos Correios e reafirma em ato virtual a luta pelos direitos e contra privatização

Por Railídia Carvalho

A Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil do Brasil (CTB) participou nesta quinta-feira (27) de um ato virtual em solidariedade aos trabalhadores dos Correios. A iniciativa reuniu 11 centrais sindicais, parlamentares e entidades da sociedade civil para denunciar que a direção dos Correios e o governo federal atacam os trabalhadores e trabalhadoras da estatal para desmontar a empresa e entregar para o capital privado.

Faz 10 dias que os Correios estão em greve geral. A direção da estatal se nega a negociar com os trabalhadores e a cumprir determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que julgou pela vigência de dois anos do acordo coletivo da empresa. Os Correios recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF), que confirmou liminar favorável à empresa. Através do Ministério Público do Trabalho (MPT), os trabalhadores e trabalhadoras entraram com pedido de reabertura da negociação no TST.

Wagner Gomes, secretário geral da CTB, reafirmou o apoio da central à luta dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios que “resistem há anos contra o desmonte da empresa e à tentativa de privatização”. O dirigente contestou o argumento da direção da estatal de que os Correios não dão lucro. “Alguém vai comprar alguma empresa que dá prejuízo? Vai dar mais lucro para o capital privado e a consequência será queda do serviço, diminuição de salário e do número de trabalhadores e trabalhadoras prestando o serviço para a população”.

Na opinião de Wagner, o movimento sindical está unido em solidariedade à greve dos Correios que também tem recebido apoio de muitos setores da sociedade civil. “Nas reuniões virtuais que as centrais tem feito é unânime a compreensão de que privatizar as empresas públicas nacionais, entre elas os Correios, é entregar a soberania do Brasil para outros países e a gente entrar em um período de miséria e dificuldade”.

Ataque às conquistas das mulheres

Sonia Zerino, dirigente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), chamou de “absurdo” o governo Bolsonaro atacar direitos como o adicional de risco dos trabalhadores dos Correios. “É um retrocesso contra trabalhadores e trabalhadoras que se expõem na pandemia para prestar um serviço postal. É um absurdo também atacar direitos conquistados pelas mulheres como auxílio-creche e licença-maternidade”.

O deputado federal Vicente de Paula (PT-SP), o Vicentinho, também participou do ato representando a bancada do Partido dos Trabalhadores. O parlamentar reafirmou o apoio à greve e pediu o apoio das centrais sindicais para o Projeto de Lei 3866/2020. O projeto é voltado para as categorias essenciais que tiverem data-base vencendo neste período. Pelo projeto as cláusulas sociais serão mantidas e as negociações serão feitas 45 dias após o fim da pandemia.

Orlando Silva: Greve será histórica

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) representou o PCdoB e afirmou que a luta dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios é em defesa do Brasil, do patrimônio público e da boa prestação de serviços para o povo brasileiro. O parlamentar lembrou a perseguição em 1995 pelo governo de Fernando Henrique aos petroleiros. “Eles saíram fortalecidos naquela ocasião. A greve dos Correios será histórica e marca a defesa da soberania brasileira sobre um setor estratégico, o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e a defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”.

“Eu deixo aqui o meu comprometimento, a minha fala categórica e taxativa dizendo não à privatização dos Correios e apoio com todas as minhas forças essa greve que é legitima e constitucional”, disse o senador Fabiano Contarato (Rede-ES). A deputada Federal Erika Kokay também participou do ato. “Quem vai levar a vacina para o Brasil serão os Correios. São eles que levam livros didáticos, medicamentos e tantos benefícios. A nossa mais profunda defesa dessa instituição e o apoio a luta dos trabalhadores e das trabalhadoras que não se vergam”. 

O senador Paulo Paim ressaltou que os trabalhadores estão firmes prestando o serviço mesmo na pandemia e com a falta de equipamento de proteção. “Eu tenho o maior carinho a essa categoria. Faça chuva, faça sol estão vocês batendo de porta em porta em todo o país”.

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