Eleição no Sindicato dos comerciários do RJ fortalece luta do trabalhador impactado pela pandemia do coronavírus

Por Railídia Carvalho

Máscaras, álcool gel e votação pela internet para alguns trabalhadores marcaram a eleição para a diretoria do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro (Secrj) realizada nos dias 7 e 8 de abril. Foi reeleito o presidente Márcio Ayer representando chapa única em um esquema rigoroso higienização por conta da pandemia do coronavírus. “O mandato estava para vencer. Não podíamos deixar o trabalhador sem representação em um momento mais agudo de necessidade de luta da categoria”, avaliou Ronaldo Leite, membro da comissão eleitoral que organizou as eleições.

Secretário de Formação e Cultura da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Leite avaliou como vitoriosa a eleição. Foram 1.675 votantes, o que corresponde a 30% da categoria sindicalizada. “A participação dos comerciários na eleição em um momento adverso mostra a confiança na atual gestão. O nosso desafio foi criar condições para que o maior numero de comerciários pudesse votar, em segurança”, afirmou.

O isolamento social implementado no Brasil e recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) atingiu boa parte dos trabalhadores do comércio, à exceção de trabalhadores de supermercados enquadrados em serviço essencial. Para alcançar os trabalhadores em casa e nos locais de trabalho foi realizada uma eleição híbrida: nos locais de trabalho em funcionamento e pela internet para aqueles que estão em casa.

Leite contou que foi adquirido um sistema de votação pela internet que gerou senhas únicas e individuais para cada um dos sócios. O comerciário recebeu a senha pelos canais cadastrados no sindicato como telefone, endereço de e-mail. “Caso algum canal de comunicação do sócio estivesse desatualizado e a senha não chegasse ao destino havia a possibilidade de o trabalhador recuperar a senha no próprio sindicato a partir da confirmação de dados de cadastro”. 

Na votação em supermercados, na sede do sindicato e em subsedes os mesários utilizaram máscaras e luvas e a determinação. Ronaldo confirmou que a orientação foi de evitar aglomeração. “Outras categorias que tinham eleições puderam adiar mas não era o nosso caso. Nesse momento, a categoria dos comerciários está no segmento de trabalhadores que pode ser alvo das consequências mais precárias”,  observou Leite.

Marcio Ayer, presidente reeleito, também afirmou que a eleição não poderia ser adiada. “Foi uma votação diferente pelo momento do país, mas foi necessária, garantimos o cumprimento de todo o processo legal para eleger a nova direção, pois temos pela frente o desafio de enfrentar essa pandemia, garantir os empregos e os direitos dos trabalhadores”.

Compartilhar: