Despesas do governo com juros da dívida pública chegam a R$500 bilhões

Gasto total com juros registrado em 12 meses até maio supera o orçamento federal conjunto de 2022 destinado ao Auxílio Brasil (R$ 89,1 bilhões), à manutenção e desenvolvimento do ensino (R$ 62,8 bilhões) e às aplicações mínimas em ações e serviços públicos de saúde (R$ 139,9 bilhões).

As despesas do governo com juros da dívida pública alcançaram R$ 500 bilhões, o maior patamar desde fevereiro de 2016, quando foram pagos R$ 513 bilhões. O valor desembolsado corresponde a 5,51% do PIB, porcentagem mais alta desde novembro de 2018 (5,52%). O gasto total com juros registrado em 12 meses até maio supera o orçamento federal conjunto de 2022 destinado ao Auxílio Brasil (R$ 89,1 bilhões), à manutenção e desenvolvimento do ensino (R$ 62,8 bilhões) e às aplicações mínimas em ações e serviços públicos de saúde (R$ 139,9 bilhões).

O crescimento das despesas é decorrente do ciclo de alta de juros promovido pelo Banco Central, que fez com que a taxa básica da economia, a Selic, chegasse ao atual patamar de 13,75% ao ano. A elevação de meio ponto percentual anunciada na última semana, após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), corresponde a um custo de R$ 15 bilhões em 12 meses para a sociedade, segundo estimou o professor de Economia da UnB, José Luis Oreiro, ao Portal Vermelho.

“De lá para cá a inflação só aumentou. Houve uma redução da inflação em julho devido à questão do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) dos combustíveis, então, o dado de julho veio abaixo dos dados de inflação mensais de 2022 por conta desse evento único que é da redução do ICMS. Mas nos meses subsequentes a inflação deve continuar elevada”, disse o economista, lembrando ainda que, quando a Selic começou a ser elevada, estava em 2% ao ano, ou seja, houve um aumento de 11 pontos percentuais desde março de 2021.

De acordo com levantamento do MoneYou e da Infinity Asset Management, esse é o maior patamar da Selic em quase seis anos e também a maior taxa real (descontada a inflação) do mundo, sendo que a taxa brasileira é mais do que o dobro daquela do 2º colocado. O Banco Central utiliza a elevação da Selic como um remédio para controlar a inflação. Contudo, a carestia continua doendo no bolso do brasileiro, especialmente pelo custo crescente da alimentação, que atinge em especial o orçamento dos mais pobres.

Fonte: Vermelho, com informações do G1

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