Militar bolsonarista mente na CPI e tenta tapar o sol com peneira para mascarar o genocídio

Os depoimentos de bolsonaristas na CPI da covid têm por característica comum o recurso a mentiras e a tentativa de tapar o sol com a peneira para mascarar o genocídio perpetratado por Jair Bolsonaro contra o povo por meio da política sanitária. O coronel Antônio Elcio Franco Filho, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde e hoje na Casa Civil do governo federal, não foi uma exceção.

Ele começou seu depoimento na CPI da Covid, nesta quarta-feira (9), com mentiras sobre a compra de hidroxicloroquina e contradições sobre as negociações para aquisição da Coronavac com o Instituto Butantan. Pela narrativa do militar bolsonarista o Ministério da Saúde na gestão do sinistro Pazuello fez tudo certo e o Brasil está muito bem servido na área de saúde.

No começo de sua oitiva, Elcio disse que não ocorreu aquisição de cloroquina para covid-19, mas para o programa antimalária. Em 30 de abril de 2020, foi assinado termo aditivo com a Fiocruz visando à aquisição para entrega posterior. Entretanto, reportagem da Folha de S.Paulo comprova que o Ministério da Saúde desviou, para covid-19, dois milhões de três milhões de comprimidos de cloroquina fabricados pela Fiocruz. Na ocasião, o desvio de finalidade do medicamento deixou descoberto o programa nacional de controle da malária, com risco de desabastecimento para pacientes da doença.

Coronavac

Na CPI da Covid, Elcio Franco disse ainda que o planejamento para aquisição de vacinas pelo governo federal foi “estratégia acertada”. Ele foi questionado sobre a falta de compra de vacinas, mas respondeu que acompanhava os estudos das farmacêuticas e que não permite aquisição de medicamentos sem aprovação da Anvisa.

“A fase 3 de estudos clínicos é considerada um cemitério de vacinas. Pela incerteza do sucesso dos imunizantes, nós não avançamos”, disse. Omar Aziz pergunta se era prática do Ministério da Saúde adquirir vacinas apenas após a terceira fase, e Elcio diz que sim. Porém, o próprio ex-secretário confirmou que a vacina da Astrazeneca foi comprada ainda na fase 2.

O jornalista do The Intercept Leandro Demori apontou a contradição de Elcio. “A verdade: Pfizer e Coronavac ofereceram vacinas antes da aprovação da Anvisa e o governo não pagaria caso a vacina não fosse aprovada”, tuitou. O jornalista Flávio Fachel lembra que o argumento de eficácia também é mentiroso. “Mas para o uso da cloroquina, um medicamento sem comprovação alguma de eficácia, houve ação de divulgação, compra e distribuição”, acrescentou.

Tratativas com Butantan

Sobre carta de intenções de compra ao Butantan, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) perguntou se foi cancelada por ordem de Bolsonaro e Pazuello. Elcio Franco afirmou que não falou com o ex-ministro da Saúde sobre o tema e não interrompeu as negociações.

Em seguida, a integrante da CPI da Covid Eliziane Gama (Cidadania-MA) apontou documento do Instituto Butantan mostrando que as negociações foram suspensas, contradizendo Elcio Franco. O senador Humberto Costa (PT-PE) também leu uma entrevista do ex-secretário dizendo que Pazuello se equivocou ao anunciar a compra da vacina.

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) criticou, por meio das redes sociais, as mentiras do ex-membro do governo Bolsonaro. “Elcio Franco mente! O presidente do Butantan, Dr. Dimas Covas, foi claro: as negociações ficaram paralisadas desde a ordem de Bolsonaro até janeiro”, tuitou.

Com informações da RBA

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