11 de agosto: a juventude quer estudar, trabalhar e viver com liberdade

Por Marcos Aurélio Ruy (Foto: Ubes)

O Dia do Estudante – 11 de agosto – nasceu da ideia de homenagear a todas e todos que tinham a possibilidade de estudar no país em 1927, lembrando a criação dos primeiros cursos de ensino superior no Brasil, ainda sob o Império, em 1827.

O país se aproxima de comemorar os 200 anos das primeiras faculdades do país e está submerso em um desgoverno que visa destruir a educação, a ciência, a cultura e os institutos e universidades federais e toda a possibilidade de futuro da juventude que sonha em ter vida digna.

Por isso, nesta quarta-feira (11), os estudantes brasileiros estarão nas redes e nas ruas com “o apoio do movimento sindical e social para fortalecer a luta dos estudantes contra os cortes na educação em prejuízo para o país e para a maioria da população”, afirma Beatriz Calheiro, diretora de Formação da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) Jovem.

Ela conta que haverá atividades no país inteiro, encabeçadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), juntamente com o movimento social e educacional de todo no país.

A presidenta da Ubes, Rozana Barroso diz que este “11 de agosto é mais um dia dessas e desses que estão na linha de frente no combate ao desgoverno Bolsonaro, na defesa do Brasil”. Para ela, “a luta pela educação é a luta pelo Brasil”. Porque “não há Brasil que avance quando a educação retrocede”.

Por isso, “a juventude retoma as ruas neste Dia do Estudante porque, os jovens querem estudar, ter emprego e direitos” e “o atual governo não só não oferece essas políticas, como desrespeita e precariza a vida dos jovens”.

Foto: Nelson Almeida/Reuters

De acordo com o Censo Escolar 2020, existem no país 47,3 milhões de crianças e jovens matriculados no ensino básico, em 179.533 escolas. Apenas no ensino médio, são 7,6 milhões de estudantes, ou 89% da população entre 15 e 17 anos matriculados nas escolas. Isso significa que 11%, dessa parcela da juventude, estão fora da escola.

Pelo índice do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 29,8% dos jovens de 18 a 24 estavam sem emprego em 2020. Em 2018, 11 milhões de jovens nem estudavam nem trabalhavam.

Por isso, “os estudantes não arredam pé das redes e das ruas neste momento difícil que estamos passando”, argumenta Rozana. “Não há Brasil que supere a crise da pandemia do coronavírus senão tivermos institutos federais funcionando, porque o Bolsonaro quer fechar os institutos federais de ensino, com um corte de quase R$ 1 bilhão”.

Portanto, “não há Brasil quando não se tem estudante estudando, quando a maior parte da juventude não acessa a educação, porque o presidente da República entrou na justiça para impedir uma lei, que construímos com muito suor, possa ser implementada para garantir internet a 18 milhões de meninas e meninos que estão sem estudar por conta disso”, reforça a presidenta da Ubes.

Porque “educação, cultura e esporte são fundamentais para uma vida digna e absolutamente se complementam”, acentua Beatriz, “seja na perspectiva da formação intelectual, do desenvolvimento de habilidades, na promoção da saúde e porque não dizer dos mais diversos talentos”.

Para a diretora de Formação da CTB Jovem, essa “é uma perspectiva de vida altamente possível quando há orientação e financiamento”. Portanto, “não é possível que o Estado e governos estaduais e municipais apenas aguardem que dentro das condições sociais mais adversas, a juventude vá superar desafios”, isso, “além de desonesto é perverso, pois joga no indivíduo a exclusiva responsabilidade dos seus resultados”.

Rozana reforça esses argumentos ao dizer que “não há Brasil que avance quando temos o menor número de inscritos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 13 anos”. Esse “é o retrato claro do agravamento da desigualdade social, desse movimento difícil que os jovens passam de não ter acesso à educação, de viver no subemprego, vendendo balas nas sinaleiras”. Por isso, “neste 11 de agosto a juventude grita mais uma vez por “Vida, Pão, Vacina e Educação”.

Beatriz conclui ao afirmar que “é essencial associar a educação com a cultura, com o esporte e com o trabalho decente para uma vida digna e com saúde para todos os cidadãos. Só assim teremos desenvolvimento capaz de mover o país”.

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