O Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro (SECRJ) e o Observatório do Estado Social Brasileiro acabam de lançar o e-book “O que esconde a escala 6×1 – Roubo de tempo e cotidiano dos trabalhadores precarizados”, um estudo inédito sobre os impactos da escala 6×1 na vida da classe trabalhadora brasileira.
O levantamento analisou informações da pesquisa que ouviu 3.027 trabalhadores e trabalhadoras submetidos à escala 6X1 (seis dias de trabalho seguidos, com apenas uma folga semanal) em 394 municípios brasileiros. Entre dezembro de 2024 e março de 2025, os participantes responderam a um questionário com 26 perguntas sobre condições de trabalho e deslocamento, saúde física e mental, rendimentos, assédio e expectativas em relação ao futuro, entre outras informações.
“O estudo apresenta um panorama do sofrimento de quem trabalha seis dias por semana, mais de oito horas por dia, uma escala que não permite equilibrar trabalho e vida privada. Não é à toa que 92,8% dos trabalhadores do comércio – setor que mais aplica a escala 6×1 – são favoráveis à redução da jornada de trabalho sem corte de salários”, apontou o presidente do SECRJ, Márcio Ayer.
Ele acrescentou: “Nosso objetivo foi trazer informações e argumentos para que os trabalhadores possam entrar de forma embasada na luta pelo fim da escala 6×1, pauta que faz parte da nossa campanha salarial”.
Maior impacto sobre os trabalhadores do comércio – A pesquisa demonstra que o comércio – especialmente hipermercados, mercados e atacarejos – é o epicentro da precarização da escala 6×1, com jornadas desumanas, salários baixos e altos índices de adoecimento. Mais de um terço (36,9%) dos entrevistados atuam nesses setores, sendo as funções mais comuns as dos vendedores, operadores de caixa e atendentes.
Maior impacto sobre os mais jovens – A pesquisa apontou a concentração da escala 6X1 na faixa etária entre 18 e 24 anos de idade. Não por acaso, segundo a Pnad/IBGE de 2024, é o grupo que apresenta a mais alta taxa de desemprego (12,9%), bem acima da média nacional (6,2%) – e que por isso aceita empregos mais precários e com menor remuneração. Os empregos formais com maior participação percentual de jovens entre 18 e 24 anos, sob a escala 6×1, são, respectivamente, repositores (41,84%), atendentes de loja (34,67%) e atendente de mercado (34,48%).
Impacto sobre a família e o convívio social – As jornadas exaustivas e a escala 6×1 têm impactos diretos na perda de convívio familiar, sendo que no último mês 52% dos trabalhadores tiveram as folgas de domingos ou feriados trocadas por outros dias, o que impactou a vida pessoal. Além disso, 25% relataram que a escala 6×1 prejudicou relacionamentos familiares e pessoais.
Dentre os entrevistados, 45% recebem entre 1 e 1,5 salários mínimos, sendo que o telemarketing e a operação de caixa concentram os menores rendimentos, de até um salário mínimo. Nessas funções mais precarizadas, as mulheres pretas são maioria absoluta, representando, por exemplo, 89,7% dos operadores de caixa.
Impactos sobre a saúde física e mental – Em relação ao assédio e ao adoecimento, 34% dos entrevistados sofreram ameaças verbais ou físicas por parte de supervisores, sendo que 27% precisaram de atestados médicos no último mês e 21% registraram atrasos devido à exaustão. As principais queixas são as metas inalcançáveis, tarefas extras não contratadas e falta de descanso, sendo que os trabalhadores e trabalhadoras também têm medo de serem demitidos devido à apresentação frequente de atestados.
Maior impacto nas regiões metropolitanas – A escala 6×1 é ainda mais cruel com aqueles que moram nas grandes cidades. É o caso dos municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em que os trabalhadores percorrem as maiores distâncias (acima de 20 km) e permanecem mais tempo no deslocamento casa-trabalho-casa. Entre os entrevistados, 24% gastam mais de duas horas no trajeto. O que, somado às longas jornadas, com horas extras frequentes, tem impacto na redução das horas de sono, estudo e lazer.
Entre nessa luta! – Os dados da pesquisa demonstram que a escala 6×1 rouba tempo, saúde, convívio e futuro dos trabalhadores. É urgente, portanto, a mobilização pelo fim desse modelo, com redução de jornada sem corte de salários, transporte digno e políticas contra assédio.
Acesse a pesquisa completa aqui: O que esconde a escala 6×1
O Observatório ainda irá lançar um Atlas, com gráficos e mais informações sobre a pesquisa. Além disso, o site do Sindicato terá a pesquisa completa com todas as informações e dados, que serão atualizados periodicamente para que todos possam acessar e conhecer mais sobre a pesquisa na sua região.
Participe da pesquisa e nos ajude a conhecer mais sobre a realidade de quem vive a escala 6×1. Clique AQUI.
Informações: Comerciários-RJ.