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A Síntese dos Indicadores Socais, feita com base nos dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), revela um cenário social dramático no país. A pobreza viceja na maioria dos lares. Em 2008, quase metade das crianças e jovens adolescentes de até 17 anos estavam em situação de pobreza ou extrema pobreza, enquanto 50% das famílias brasileiras ainda vivia com menos de R$ 415 per capita. As estatísticas foram divulgadas nesta sexta-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A pesquisa enfatiza que a desigualdade na distribuição de renda no País, entre classes e regiões, continua gritante e vergonhosa, apesar dos tímidos avanços ocorridos ao longo dos últimos anos. No Nordeste, o rendimento médio foi de R$ 250 per capita, contra R$ 500 no Sudeste. Apesar disso, o Pnad mostra que há uma tendência de melhoria do rendimento, principalmente entre os muito pobres. Em 1998, as pessoas que viviam com até ¼ de salário mínimo representavam 32,4%. Em 2008, esse número caiu para 22,6%. O Nordeste registrou a queda mais significativa, passando de 54,3%, em 2003, para 41,3%, em 2008.

Frequencia escolar

O estudo destaca que a renda da família está diretamente ligada à frequência escolar. Quanto maior a renda, maior o número de crianças estudando. Segundo o IBGE, de 0 a 3 anos, a taxa foi de 18,5% para as famílias que viviam com até ½ salário mínimo per capita, enquanto para as que viviam com mais de 3 salários mínimos per capita foi de 46,2%.

Considerando a frequência escolar dos adolescentes de 15 a 17 anos, ela foi de 78,4% entre os 20% mais pobres e, 93,7%, nos 20% mais ricos.

“Chefes de família”

De acordo com o IBGE, houve um aumento significativo em 10 anos das mulheres que se dizem “referência do domicílio”. O número passou de 25,9%, em 1998, para 34,9%, em 2008.

Segundo o levantamento, intitulado Síntese dos Indicadores Sociais, 44,7% das crianças e adolescentes do País estavam na condição de pobreza ou pobreza extrema, o equivalente a cerca de 11 milhões de pessoas. Outras 18,5% subsistiam com apenas ¼ de salário mínimo, o que representava pouco mais de R$ 103.

Pelos critérios da pesquisa, um pobre tem um rendimento domiciliar per capita de até meio salário mínimo por mês ao passo que o extremo pobre tem uma renda de até um quarto do mínimo. O salário mínimo em 2008 era de 415 reais.

O levantamento apontou que 18,5% dos jovens de até 17 anos residiam em uma casa com renda per capita de até um quarto do salário mínimo e 26,2% tinham uma renda por pessoa de até meio salário mínimo ao mês. O IBGE detectou, no entanto, uma redução da pobreza na população de até 17 anos.

Redução paulatina


"A redução paulatina do nível de pobreza na segunda metade da década pode ser constatada também nas famílias com crianças e adolescentes", afirmou o IBGE. "Em 1998, 27,3% das pessoas de até 17 anos viviam na condição de extrema pobreza e, em 2008, esse percentual diminuiu para 18,5%."

A situação nas regiões menos desenvolvidas do país é mais grave. No Nordeste, 66,7% das pessoas com até 17 anos vivem na pobreza ou na extrema pobreza ao passo que no Sudeste o contigente era de 31,5%.

No entanto, em relação a 1998, houve melhoras nos indicadores nordestinos. Há 11 anos, esse percentual de pobreza atingia 73,1% dos jovens. "Tais melhoras podem ser atribuídas ao efeito de políticas públicas de transferência de renda implementadas nos últimos anos", aponta o estudo.

Comparação desfavorável

Os avanços obtidos no Brasil nos últimos anos ainda mantêm o país numa posição incômoda em relação a outro países. Ao cruzar os dados da síntese com informações da Organização das Nações Unidas, o IBGE detectou que a esperança de vida brasileira, de 73 anos, deixa o país atrás de nações como Costa Rica, Panamá, Equador e Venezuela.

Ainda assim, de acordo com o instituto, a expectativa de vida do brasileiro avançou 3,3 anos entre 1998 e 2008.

A comparação dos dados sobre mortalidade infantil também são desfavoráveis ao Brasil. Enquanto em Cuba e no Chile a mortalidade infantil ao nascer é de 5,1 e 7,2 a cada mil nascimentos, no Brasil o patamar é de 23,5 por mil. Em 1998, a mortalidade infantial no Brasil chegava a 33,5.

"A melhoria das condições de habitação com saneamento básico e ampliação dos serviços de saúde vêm contribuindo para reduzir as mortes infantis", revela o IBGE.

Envelhecimento

A estrutura etária do país manteve o processo de envelhecimento, segundo o IBGE.

A taxa de fecundidade no país atingiu 1,89 por mulher sendo que na região sudeste esse nível ficou perto de 1,5 filho por mulher, se aproximando do padrão europeu. Em 1998, a média de filhos era de 2,43 por mulher.

O número de casais sem filho no país subiu de 13,3% em 1998 para 16,7% no ano passado. Com a redução da fecundidade e aumento da esperança de vida, o número de idosos não pára de crescer. Em 2008, eram aproximadamente 21 milhões de pessoas com mais de 60 anos superando os contingentes verificados em países europeus como França, Itália e Inglaterra, segundo o IBGE.

A proporção desse contingente em relação à população total do Brasil passou de 8,8 para 11,1 por cento. Segundo o IBGE, 9,4 milhões de brasileiros ou 4,9% da população tinham mais de 70 anos de idade no ano passado. Segundo o Instituto, praticamente dobrou o percentual de universitários no Brasil com idade entre 18 e 24 anos. Em 1998, 6,9% dos jovens nessa faixa etária estavam matriculados em uma universidade e, em 2008, esse percentual subiu para 13,9%.

Com agências

 

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