“Temos Janaína Paschoal, eles têm Donald Trump. O que é pior?”, pergunta diretora de O Processo

Guta Ramos entre Camila Ribeiro, diretora da UNE e Wandré Fernandes, cineasta

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé inaugurou em grande estilo o seu Núcleo de Cultura nesta terça-feira (12), às 19h. A convidada do evento foi a cineasta Maria Augusta Ramos, diretora do documentário “O Processo”, sobre o golpe na presidenta Dilma Rousseff, em 2016.

Primeiramente desta vez não foi simplesmente o “Fora Temer”, mas a apresentação de uma parte da obra premiada internacionalmente, que atrai grande público com vontade de conhecer os meandros do processo que deu início ao governo ultraliberal de Michel Temer e o mantém na Presidência, mesmo rejeitado por absoluta maioria da população.

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Ela foi logo avisando que não faz cinema com tudo mastigadinho. “Faço filmes para instigar, que leve as pessoas a pensar”. Para ela, o público brasileiro tem uma reação emocional com a sua obra.

Segundo a cineasta, “a política virou um grande teatro no mundo inteiro, porque a mídia espetaculariza tudo e as pessoas parecem estar interpretando o tempo todo”. Ela explica que “nós temos a Janaína Paschoal, mas eles têm o Donald Trump. O que é pior?”.

Cinema

Guta diz que se propõe a levar reflexão com suas películas. “Não importa se a Gleisi (Hoffmann) é do PT, quero gerar questionamentos com o que ela representa”. Além disso, afirma que a carga emocional é um traço fundamental em suas obras.

Ela conta que foram 450 horas de filmagem, 70 diárias e seis meses para editar todo esse material e chegar ao resultado de pouco mais de duas horas que o documentário tem. “Espero que daqui há 20 anos as pessoas possam assistir esse documentário para entender o que foi o processo de impedimento de uma presidenta eleita democraticamente”.

Diz ainda que a obra foi realizada com poucos recursos e na maioria das vezes contava com apenas uma câmera, direcionada com o seu olhar sobre o fato em si.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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