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O ator (e crescente liderança política) Gregório Duvivier aproveitou seu espaço na Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (26) para tratar da situação melancólica da disputa pela prefeitura de São Paulo, em que disputam a primeira posição João Doria Jr. (PSDB), Celso Russomano (PRB) e Marta (PMDB). Em coluna intitulada “Haddad, assim fica difícil te defender”, Duvivier faz uma ironia corrosiva: o problema do atual prefeito é que ele não foi desonesto o suficiente. A coluna do ator pode ser acessada AQUI.

“Tenho certeza de que todo dia o paulistano abre o jornal ansiando por um escândalo de corrupção envolvendo o prefeito. Algo que fizesse jus à expectativa. Bastava um desviozinho pra paixão voltar com tudo! Mas nada”, escreve, descrevendo a relação conflituosa com que a população de São Paulo trata a própria administração. “Enquanto isso, Doria e Russomanno só fazem subir nas pesquisas – na mesma proporção em que pipocam escândalos envolvendo os mesmos”, continua.

Duvivier lembra que o atual prefeito foi um dos poucos que literalmente fez o que previa seu projeto de governo, incluindo as faixas de ônibus e o fechamento da Av. Paulista, e teoriza: “Só mesmo falta de autoestima explica a maneira como tratam o Haddad”.

Corruptos dominam pesquisas

A situação da corrida eleitoral de São Paulo tem deixado atônita boa parte dos analistas políticos, que enxergam uma situação contraditória na opinião pública. Ao mesmo tempo em que a maior parte da população apoia as medidas tomadas pela gestão Haddad (92% aprovam as faixas de ônibus, 51% aprovam a redução da velocidade nas ruas, 61% aprovam o fechamento da Paulista aos domingos), esse mesmo eleitorado demonstra uma rejeição dramática ao mandatário: 56%. Entre analistas, o consenso é de que o motivo primário do descontentamento é a atuação virulenta da imprensa contra o petista.

Do outro lado da balança, Doria e Russomano atravessam tendências opostas: enquanto o candidato tucano vem numa crescente acelerada de porcentagem, com 25%, Russomano segue uma queda que o derrubou de 34% para 22% em apenas um mês. Logo atrás, Marta também cresce e atinge 20%.

disputa spPesquisa DataFolha para São Paulo em 23/09/16

O que une os três candidatos à frente é o histórico de escândalos que procuram esconder.

  • Doria é atualmente réu condenado por uma invasão de terras públicas em Campos do Jordão, onde expandiu sua mansão sobre uma área protegida. Já houve veredito para que que devolvesse o espaço, mas ele ignorou a decisão. Antes disso, ficou conhecido também pelos favores que recebeu do governo Alckmin, em especial um patrocínio de R$ 1,5 milhão concedido à sua revista Caviar Lifestyle, que trata do mundo dos super-ricos;
  • Russomano enfrenta um histórico ainda pior: não apenas foi citado em mais de uma ocasião na Operação Lava Jato como tomador de propinas, como também luta contra o Ministério Público para evitar uma condenação por peculato que levou da Justiça Federal em 2014. Para além disso, tenta esconder sua dívida de mais de R$ 2 milhões em impostos junto ao fisco municipal, que obrigou-o a interditar um restaurante em seu nome, assim como suas conexões eleitorais com a Igreja Universal do Reino de Deus;
  • Marta foi um dos pivôs do golpe de Estado perpetrado por Michel Temer e sua turma, traindo seu próprio eleitorado ao votar pelo impeachment de Dilma Rousseff. Ficou infame ao aparecer de mãos dadas com Eduardo Cunha em sua celebração de filiação ao PMDB, na qual disse que “o Brasil precisa de honestidade na política”, apontado para o ex-deputado.

Em um cenário de segundo turno, portanto, São Paulo ficaria dividida entre um representante do patrimonialismo colonial, outro do fisiologismo desavergonhado dos pequenos partidos e um traidor do próprio eleitorado. Algo muito distante das reivindicações comuns por honestidade e transparência na política, pelas quais se bateu tantas panelas entre 2013 e 2015.

As eleições municipais acontecem em todo o Brasil no próximo domingo (2).

Portal CTB

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