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Qua, Jun

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Setembro é o mês de prevenção ao suicídio. Um assunto complexo que espelha fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais e também culturais e tem sido discutido, pela campanha Setembro Amarelo.

Como de costume, as atividades de prevenção e sensibilização incluem veiculação de materiais da campanha e a decoração e iluminação de prédios públicos, praças e monumentos com luzes e itens amarelos, como o Palácio Anchieta e o Convento da Penha.

Para entender  assunto, a CTB-ES conversou com a ex-diretora do Departamento de Apoio a Gestão Participativa do Ministério da Saúde e também cetebista, Kátia Souto, que explica um pouco mais sobre o assunto.

Por que a pessoa se suicida?

Porque é uma coisa muito complexa. Acho que hoje quando a gente trabalha dentro da política de saúde do homem e também na saúde mental a questão do suicídio vem dentro do guarda chuva chamado violências, que aí você trabalha várias expressões dela e essa é uma contra si mesmo. O que a gente ta começando a abordar é de que ele é um problema de saúde pública que a gente precisa chegar antes com a prevenção e promoção.
No caso vou abordar a questão da saúde do homem, porque é com eles que ocorre o maior número de suicídios. A mulher tem maior número de tentativa de suicídio, mas o homem de fato se suicida.

Você acha que a crise pode influenciar?

Então, eu pessoalmente acho que sim. Porque quando a gente fez um certo levantamento em 2008 da crise econômica na Europa, isso trouxe um componente de suicídio para os homens. E aí eu faço uma reflexão de gênero. O homem tem toda uma questão sociocultural de que ele é o provedor na família. A construção da masculinidade está muito ligada ao papel do homem dentro da sociedade. E qual o papel dele? A masculinidade hegemônica, heteronormativa é a questão dele ser o provedor. Então no momento de crise econômica, onde ele tem o desemprego, onde situações de perdas e outros elementos podem contar.

São vário elementos, não dá colocar como causa e efeito. Existem vários determinantes como também a questão da masculinidade hegemônica, onde acontece o suicídio em homens jovens gays. Quer dizer, ele não responde ao que a sociedade definiu sobre o que é ser homem e acaba se suicidando.

A pessoa apresenta sintomas antes do suicídio?

Alguns sinais, se tem uma crise se fato de perda de emprego, identidade, tanto na família como na sociedade, por exemplo, a pessoa pode começar a beber, a ficar mais violento, são sinais , não necessariamente sintomas biológicos. Esses sinais podem apontar que ele muda o comportamento a partir de uma determinada crise.

Para completar, Souto fala sobre o que deve ser feito para a prevenção do suicídio a partir da campanha e das políticas de saúde.

"A saúde precisa ser promoção, respeito e cidadania. Mais do que os avanços tecnológicos, precisamos dar importância a tecnologia humana, que é acolher e cuidar das pessoas, que passa pela capacidade de ouvir, de olhar com sentimento e reconhecer o outro do lugar dele. E por mais proximidade e empatia que eu tenha eu não terei vivido nada do que o outro vivei, é um exercício diário. Por isso políticas públicas são extremamente necessárias para enfrentar situações que levam ao suicídio, porque se você não tem minimamente políticas publicas que te auxiliem no processo de construção da cidadania, seja no campo da saúde, educação e na assistência social, você de fato pode se sentir abandonado", afirma Kátia.

O Ministério da Saúde está busca trazer alguns elementos desses, como seminários, grupos de trabalho com o objetivo de falar sobre o assunto, ou seja, dar visibilidade a uma situação que preocupa. "Só podemos trabalhar a promoção e prevenção do suicídio se tivermos a capacidade de escutar e de prestar atenção no outro. E mesmo com todas essas situações precisamos lembrar que cada pessoa é singular e única, são vidas e particularidades diferentes", enfatiza a ex-Diretora.

Não se esqueça, preste atenção no outro! Vamos juntos prevenir o suicídio. Falar é a melhor solução.

Karol Siqueira - CTB-ES

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