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Sáb, Jul

Nivaldo Santana

  • Para Odair Rogério da Silva, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Santa Catarina (CTB-SC), o 4º Congresso Estadual da entidade acontece num momento bastante “oportuno para definir e ajustar nossa tática frente à ofensiva do capital sobre o trabalho”.

    Para ele, a conjuntura é de resistência e unidade. “As reformas propostas pelo desgoverno Temer, nos leva à construção de uma frente ampla para derrotarmos os ataques aos nossos direitos”.

    Silva ressalta ainda que a CTB sempre defendeu a unidade. E por isso, “a CTB cresce, porque procuramos compreender com clareza os caminhos a percorrer com objetivo de construir o mundo novo com uma sociedade mais justa e igualitária”.

    Ele explica ainda que a organização do Congresso está sendo feita em parceria com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc), com uma expectativa de 100 a 150 participantes entre delegados e convidados.

    Com a presença do vice-presidente da CTB nacional, Nivaldo Santana, participam do Congresso representantes dos 42 sindicatos filiados à CTB-SC. Com um texto base contando com o regimento interno e balanço da atual gestão estadual.

    Com o lema “Democracia e luta em defesa do emprego e dos direitos”, o Congresso só acaba na quinta-feira (8), quando será eleita uma nova direção para a CTB-SC.

    Serviço:

    Local: Auditório da Fetaesc, na Av. Leoberto Leal n° 976 - Barreiros - São José - SC

    Programação:

    Quarta-feira (7)
    18h30 - Abertura
    Mesa de abertura:
    Odair Rogério da Silva - presidente da CTB-SC
    Nivaldo Santana - vice-presidente da CTB nacional
    José Álvaro Cardoso - Dieese
    Valter Dresch - presidente da Fetaesc
    Cezar Valduga - deputado estadual do PCdoB
    Idemar A. Martini - presidente da Fetiesc

    Quinta-feira (8), às 8h30
    I - Discussão e aprovação do Regimento Interno;
    II - Analise sobre a Conjuntura Estadual e Nacional;
    III - Balanço político organizativo da CTB-SC;
    IV - Discussão do Documento Base “Democracia Resistência e Luta”;
    V – Discussão e deliberação do Plano de Lutas da nova gestão;
    V – Eleição de Delegados e Delegadas ao 4º Congresso Nacional da CTB,
    VI – Eleição da nova Direção e do Conselho fiscal.

    19h – Encerramento

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Arte do grafiteiro paulistano Paulo Ito (Foto: André Penner/AP)

    "Vi ontem um bicho
    Na imundície do pátio
    Catando comida entre os detritos.

    Quando achava alguma coisa,
    Não examinava nem cheirava:
    Engolia com voracidade.

    O bicho não era um cão,
    Não era um gato,
    Não era um rato.

    O bicho, meu Deus, era um homem".

                (O Bicho, de Manuel Bandeira)

    O jornal britânico The Guardian (leia matéria original aqui) mostra, nesta quarta-feira (19), os efeitos perversos da política de contenção de gastos do governo Michel Temer. “O Brasil caiu em sua pior recessão em décadas, com 14 milhões de pessoas desempregadas”, reforça a reportagem.

    Aliado ao aumento do desemprego, Nivaldo Santana, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), afirma que “o arrocho salarial e os cortes em investimentos de programas sociais alimentam a crise e o consequente aumento da pobreza, num país que avançava celeremente no combate à miséria”.

    O economista Francisco Menezes diz ao jornal britânico que "o Brasil voltará ao mapa de fome", se o governo insistir nesse rumo de congelamento de investimentos no setor público e em programas sociais.

    Em 2014, o Brasil saiu do mapa da fome. “Isso só aconteceu porque tivemos dois governos voltados para o crescimento da economia”, acentua Santana. “Agora acontece o inverso, o que só faz agravar a crise, o desemprego, a recessão".

    De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a pobreza absoluta no Brasil caiu de 25% em 2004 para 8% em 2014, mas já no ano seguinte aumentou para 11% e se agrava ainda mais com as medidas tomadas pelo governo Temer.

    O relator especial sobre pobreza extrema e direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Philip Alston, criticou em matéria do The Guardian, a Proposta de Emenda à Constituição 55 (PEC 55), recentemente aprovada no Congresso Nacional. Santana critica também a reforma trabalhista, jpá sancionada por Temer, a reforma da previdência em tramitação no Congresso e a tercriização ilimitada, já aprovada.

    "A crise só pode se acentuar dessa maneira. O governo ilegítimo acaba com os direittos da classe trabalhadora, corta investimentos nos setores sociais e nos programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família e ainda acabaou com a Política de Valorização do Salário Mínimo. Isso só faz piorar", afirma Santana.

    "É completamente inadequado congelar apenas despesas sociais e amarrar as mãos de todos os futuros governos por mais duas décadas”, argumenta Alston. O economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo também critica o projeto do governo que assumiu em 2016 após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

    Ele diz ao Brasil de Fato que os projetos neoliberais só farão agravar a crise. "É como se o motor do carro começasse a pifar no meio da estrada, e o motorista quisesse consertar a lataria".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O jornal "Valor Econômico" publicou nesta terça-feira (26), a pesquisa Pulso Brasil, realizada pela empresa de consultoria Ipsos desde 2005 no Brasil. O levantamento atual mostra que a cada dia que passa o apoio ao afastamento da presidenta Dilma cai na mesma proporção em que cresce a rejeição ao desgoverno Temer.

    Um dado fundamental da pesquisa Ipsos revela que 52% dos pesquisados querem novas eleições. Mais ainda, Dilma tem a preferência de 20%, enquanto Temer ficou com 16% das preferências.

    "Essa pesquisa, assim como outras, reforça a luta em defesa do plebiscto para o país sair do impasse político que está vivenciando. Também mostra que neste momento é a presidenta Dilma que reúne as condições de legitimidade para levar adiante essa consulta popular sobre novas eleições para a Presidência, já em outubro", diz Nivaldo Santana, presidente em exercício da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Para ele, "o plebiscito é a única maneira de resgatar a soberania popular".

    Outro dado importante da pesquisa, mostra que o apoio ao processo golpista, disfarçado de impeachment, caiu de 61% em março para menos da metade do eleitorado agora, com 48% defendendo essa farsa, mesmo índice que julga a gestão Temer como ruim ou péssima. 

    Essa nova pesquisa se contrapõe amplamente à tentativa de fraude feita pelo Datafolha, em pesquisa publicada no jornal do mesmo grupo, “Folha de S.Paulo”, no dia 16, afirmando que 50% preferiam Temer e apenas 3% apoiavam novas eleições.

    O levantamento mostra também que 20% desejam a volta da presidenta Dilma ao Palácio do Planalto, enquanto 16% acreditam que Temer deveria ser confirmado no cargo. Por isso, "a CTB continuará juntamente com as forças democráticas lutando contra esse golpe infame, defendendo os interesses da classe trabalhadora e da nação", conclui Santana.

    Nova eleição

    De acordo com a Constituição, a antecipação das eleições, sem um plebiscito, só pode ocorrer com a aprovação de 3/5 dos parlamentares ou caso haja renúncia da presidenta Dilma e do vice-presidente Michel Temer.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A pedagoga Anita Freitas fala sobre as novidades na educação das infâncias

    Começou nesta quarta-feira (9), o 12º Congresso do Sindicato dos Educadores da Infância, da rede municipal de São Paulo, com o tema “Currículo Integrador das Infâncias” (saiba mais pelo site do sindicato aqui), na Uninove, na capital paulista.

    O vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Nivaldo Santana, esteve na abertura do congresso representando a central.

    O tema foi escolhido porque, de acordo com Claudete Alves, presidenta do Sedin, “hoje a maioria dos governos tratam a infância de forma fragmentada, mas sabemos atualmente que não há ruptura, porque toda criança é única e deve desenvolver-se plena e integralmente, em todas as suas fases”.

    sedin congresso 2016 claudete alves presidenta

    Claudete Alves, presidenta do Sedin, encerra o Congresso nesta quarta

    A palestrante da tarde foi a pedagoga Anita Freitas que dissecou o tema com muita propriedade. Ela falou dos avanços educacionais na área da infância e demonstrou as novas formas de lidar com as crianças de todas as idades.

    Alves prevê dificuldades no relacionamento com a próxima administração municipal, mas garante que o Sedin se dispõe ao diálogo sempre, porém, ela promete “muita luta para manter as conquistas das educadoras e da cidadania de nossas crianças”.

    O Congresso continua na quinta (10) e se encerra na sexta. Alves assegura que entende “a necessidade de dialogar, mas se o João Doria cumprir o que está falando iremos para as ruas mostrar à sociedade que as educadoras da infância são de luta”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O instituto de pesquisas Vox Populi divulgou neste sábado (30) um levantamento onde revela queda substancial na popularidade do ainda vice-presidente Michel “vaza” Temer.

    Para 32% dos 1.523 entrevistados em 97 municípios, entre os dias 27 e 28 de abril, a situação vai piorar num eventual governo golpista com Temer à frente. Os parlamentares também não são bem avaliados.

    A maioria já começa a enxergar que o golpe não é a melhor solução, 66% pensam assim, principalmente depois de a mídia golpista começar a publicar as propostas de um suposto governo Temer.

    Para 29% o desemprego vai aumentar, enquanto 34% acredita que os programas sociais piorarão e 32% acham que os direitos trabalhistas serão prejudicados.

    A atuação dos deputados federais na votação da aceitação do pedido de impeachment no domingo (17) foi reprovada por 56% dos pesquisados. Sendo que 22% acham que nem deputados, nem senadores das atuais legislaturas estão à altura das necessidades do país.

    Por isso, 61% acreditam que a melhor solução seria a realização de novas eleições. Para Nivaldo Santana, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, o fato se explica “diante do impasse político vivido pelo país".

    Assim, para ele, "a solução mais adequada é resgatar a soberania popular para definir o futuro do país”. Uma proposta que está na ordem do dia, segundo Nivaldo, é a realização “de um plebiscito para o povo decidir se quer as diretas já ou não”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • As trabalhadoras negras e os trabalhadores negros têm um encontro marcado para este sábado. A Plenária sobre Igualdade Racial começa às 9h, no sábado (27), na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema)  e reúne sindicalistas para debater como o movimento sindical pode colaborar com o fim do racismo.

    Os temas da plenária serão a conjuntura atual, com palestra de Nivaldo Santana, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e A questão do Direito ao Trabalho pós Abolição, com Juarez Tadeu de Paula Xavier, professor da Universidade do Estado de São Paulo em Bauru, interior do estado.

    A outra palestrante é Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da CTB, que falará sobre O que é Injúria Racial e o que é o Racismo?. Para ela, “o movimento sindical tem papel preponderante no combate ao racismo e a CTB-SP não poderia ficar fora dessa trincheira".

    "É em São Paulo onde ocorrem as maiores batalhas contra a opressão que submete trabalhadores e trabalhadoras a condições de trabalho, muitas vezes desumanas”, complementa.

    plenaria igualdade racial sp

    Já Lidiane Gomes, do Sindicato dos Professores de Campinas e Região, afirma que “esta plenária é importante para que possamos solidificar o trabalho do Coletivo Nacional de Igualdade Racial (da CTB)”.

    Para ela, “existe ainda um grave problema de falta de acesso ao trabalho formal para a população negra e quando isso acontece os negros e as negras ficam invariavelmente em cargos subalternos”.

    Gomes acredita que a plenária deve "elaborar um plano de lutas em São Paulo para combater e erradicar o racismo no mundo do trabalho". Custódio complementa afirmando que “a CTB-SP dá um passo importante para a construção de uma força antirracismo estado mais rico do país”.

    Serviço

    O que: Plenária sobre Igualdade Racial
    Onde: Sintaema (avenida Tiradentes, 1323, São Paulo)
    Quando: Sábado (27), às 9h

    Programação

    08h30 – café da manhã
    09h00 – início da plenária
    Conjuntura: Nivaldo Santana
    09h50 – mesa: O que é Injúria Racial e o que é o racismo?
    • Mônica Custódio
    10h30 – intervalo
    10h40 – A questão do Direito ao Trabalho pós Abolição
    • Juarez Tadeu

    12h00 – 2º mesa- Congresso Estadual e Construção da Secretaria de
    Igualdade Racial da CTB-SP
    • Onofre Gonçaçves
    • Paulo Nobre

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • “Mais uma vez estamos nas ruas da maior cidade do país neste histórico 8 de março para defender nossos direitos e barrar as reformas da previdência e trabalhista que trazem tantos prejuízos às mulheres trabalhadoras”, diz Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP).

    A animação da dirigente da CTB-SP tem motivos. Juntamente com mulhres de pelo menso 40 países, cerca de 50 mil mulheres marcharam pelas ruas da capital paulista contra as reformas do governo Temer e contra a violência.

    “Não podemos mais ficar caladas diante tantos estupros e assassinatos. O Brasil é o quinto país mais violento com as mulheres e isso tem que acabar”, reforça Bitencourt. “Precisamos estar permanentemente nas ruas pela democracia, que é a melhor forma de avançarmos no processo civilizacional”.

    Durante a caminhada, Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), disse que as mulheres jovens não sairão das ruas até o restabelecimento da ordem democrática.

    Assista vídeo dos Jornalistas Livres: 

    “Queremos ter aposentadoria no futuro e trabalho digno agora. Queremos também uma educação pública de qualidade, que contribua para a construção de uma sociedade mais justa e igual”, diz. Por isso, “defendemos uma reforma do ensino que contemple a juventude e os profissionais da educação. Não aceitaremos que privatizem nossas escolas”.

    O vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana, afirma que a central tem a igualdade de gênero como um de seus pilares. "O sindicalismo classista combate a exploração do trabalho assalariado e todas as formas de opressão. Dessa forma, a luta emancipacionista das mulheres contribui decisivamente para a construção de uma sociedade livre, democrática e iguatária e deve ter todo o apoio dos homens".

    Com as mulheres negras e indígenas à frente da marcha, que saiu das Praça da Sé, a passeata parou em frente ao posto do INSS na rua Xavier de Toledo para mostrar que as trabalhadoras e as jovens não aceitam a retirada de direitos. “Aposentadoria fica, Temer sai” Foi a palavra de ordem mais utilizada.

    Acompanhe as fotos da manifestação aqui.

    Já a secretária da Mulher do Sindicato dos Correios de São Paulo, Arlete Miranda (afastada para tratamento de saúde) reclama que o “Congresso e o governo Temer querem retroceder em muitas décadas na questão dos direitos trabalhistas, mas principalmente tirando conquistas das mulheres, que sempre são as mais prejudicadas.

    A passeata se encerrou após o encontro com as professoras e professores que estavam em assembleia no Vão do Masp, na avenida Paulista e outros grupos de mulheres que se juntaram para mostrar que não aceitam mais serem discriminadas e violentadas.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Renato Bazan

  • Apenas uma semana atrás, o Google anunciou uma das maiores conquistas na história da computação: uma Inteligência Artificial capaz de aprender conceitos do zero e se treinar sozinha. Em outro lugar no mundo, na Universidade de Cambridge, um grupo de cientistas usou uma tecnologia similar para provar que é possível prever terremotos, inclusive suas potências, sem nenhuma interpretação humana sobre os dados.

    Os dois fatos são parte de um mesmo fenômeno social: a Quarta Revolução Industrial. A evolução cada vez mais veloz na descoberta e implementação de novas tecnologias nos ambientes de trabalho representa, ao mesmo tempo, uma oportunidade de emancipação dos trabalhadores e a marginalização daqueles menos qualificados, substituídos por máquinas cada vez mais auto-suficientes.

    “Precisamos compreender os desafios desse novo momento sem retornar ao luddismo, a concepção que considerava as máquinas como inimigas dos trabalhadores e responsáveis pelo desemprego. A tecnologia é um meio importante para a humanidade perseguir avanços civilizatórios”, explicou Nivaldo Santana, secretário de Relações Internacionais da CTB.

    Para entender a visão da Central sobre a atual revolução tecnológica. o Portal CTB conversou com o dirigente.

    Portal CTB: Qual é o lugar do movimento sindical dentro das conversas sobre a Quarta Revolução Industrial?

    Nivaldo Santana: O futuro do trabalho é um tema de grande importância dentro do debate contemporâneo sobre a Quarta Revolução Industrial, assim como a valorização do trabalho e dos trabalhadores. O movimento sindical precisa estudar formas alternativas de organização e de luta para enfrentar as mudanças produzidas pela revolução técnico-científica adiante, precisa pensar em novas formas de gestão e organização do trabalho.

    Nós, que temos uma orientação classista e progressista para o movimento sindical, não podemos nos opor ao avanço da ciência e da tecnologia. Não podemos cair na armadilha do luddismo, aquela concepção que considerava as máquinas, e não os detentores do capital, como inimigas dos trabalhadores e responsáveis pelo desemprego.

    Como fazer essa distinção? É inegável que existe uma redução no número de postos de trabalho por conta das máquinas.

    A resposta não é simples, estamos falando de uma situação complexa. Não é prudente afirmar que o sindicato deva resistir deste ou daquele jeito, mas minha compreensão é que a luta por uma sociedade mais avançada passa pela ciência e a tecnologia.

    Para que isso ocorra, os frutos do desenvolvimento científico e tecnológico não podem beneficiar apenas uma minoria, como ocorre no capitalismo. Nesse contexto, os detentores das máquinas concentram seu capital cada vez mais nos equipamentos e cada vez menos nas pessoas, produzem cada vez mais trabalho com menos trabalhadores. Daí se atribui essa “concorrência predatória” das máquinas e o enfraquecimento dos sindicatos. Mas o problema está em quem as detém, não nelas.

    Como se daria uma apropriação progressista das novas tecnologias?

    As novas tecnologias criam as bases materiais para a transição para um novo tipo de sociedade, o socialismo. A reestruturação produtiva que virá provocará um grande aumento da produtividade e a substituição em escala não desprezível do trabalho humano por máquinas.

    Temas como a Inteligência artificial, a robótica, a Internet das Coisas, os veículos autônomos, a impressão em 3D, a nanotecnologia, a biotecnologia, a ciência dos materiais, a computação quântica… são todos avanços da ciência que vão mexer com os mais variados serviços. Mas são também meios importantes para que a humanidade persiga objetivos nobres, trabalhe cada vez menos e viva cada vez mais e melhor.

    A transição será longa e cheia de sustos. Na atual etapa de resistência, o movimento sindical ainda precisa definir uma agenda que garanta emprego, salário e direitos.

    Qual deve ser o papel do poder público diante dessas mudanças?

    Uma primeira questão é a necessidade de os Estados Nacionais regularem a aplicação de novas tecnologias, associando-as à proteção do emprego e ao crescimento econômico. Uma medida indispensável é a redução da jornada de trabalho. Isso não só vai garantir emprego para todos, como tem a vantagem adicional de liberar mais tempo dos trabalhadores para o descanso, o lazer e outras atividades sociais.

    Outra resposta para enfrentar as consequências do desemprego e da precarização decorrentes da evolução tecnológica é a constituição de uma ampla rede de proteção social, com educação, saúde, moradia, transporte, cultura, esporte, lazer, etc. Aqui também o Estado precisa ter um papel protagonista, e deve reverter as políticas de austeridade fiscal vigentes na maior parte dos países.

    Por último, é necessário retomar o desenvolvimento econômico como âncora para gerar empregos. Ele é a base para ampliar esses novos setores produtivos, criar novos tipos de ocupação e formar novos profissionais, capacitados para substituir parte das profissões eliminadas pela reestruturação produtiva.

    Isso tudo ainda precisará ser complementado por algum tipo de renda básica para todas as pessoas, independentemente de estarem trabalhando ou não. O seguro-desemprego permanente, portanto, como instrumento de alta relevância social, que não pode ser desconsiderado.

    Num cenário pessimista, quais seriam as maiores ameaças da crescente automação?

    Marx afirmou, ao estudar esse tema, que a burguesia não pode existir sem revolucionar constantemente os meios de produção. Isso acarreta cada vez mais investimento em capital constante, o “trabalho morto”, do que em capital variável, o “trabalho vivo”. É um fato inevitável com o desenvolvimento do capitalismo.

    Um exemplo importante são os serviços bancários no Brasil... No ano de 2016, foram realizadas pelo celular 21,9 bilhões de operações bancárias, 34% do total. Em contrapartida, nas agências bancárias foram feitas apenas 8% dessas operações. Esse dado mostra um novo problema para o movimento sindical: mais trabalho com diminuição do número de trabalhadores - substituídos, neste caso, por operações digitais. Os trabalhadores da indústria e do setor de serviços também enfrentam essa “concorrência” das máquinas.

    A tecnologia, sem controle, pode levar a uma realidade do trabalho cada vez mais fragmentado, flexível, em tempo parcial, sem segurança e sem proteção. As conquistas do período em que predominavam as grandes fábricas e concentrações de trabalhadores vão sofrer retrocessos.

    O sindicalismo, em decorrência, precisa se reinventar, e adequar a organização sindical às novas formas de organização do trabalho.

    Obrigado, Nivaldo.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • O Instituto Paraná divulgou pesquisa nesta quarta-feira (27), onde 60,6% dos entrevistados disseram ser contra as privatizações, mostrando repúdio ao projeto do desgoverno Temer “privatizar tudo o que for possível”.

    Para o presidente em exercício da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nivaldo Santana, “não é de hoje que a população se manifesta contra a privatização das nossas estatais, tanto quanto de serviços essenciais que o Estado tem obrigação de fornecer como educação e saúde”.

    É por isso, diz Santana, que um projeto dessa monta só poderia vir “de um governo biônico, com uma proposta entreguista e derrotada nas urnas reiteradas vezes”. De acordo com o Instituto Paraná foram ouvidas 2.020 pessoas maiores de 16 anos, em 158 municípios, de 24 estados brasileiros, entre os dias 20 e 23.

    Pior ainda para o projeto neoliberal dos golpistas é que 63,3% revelaram ser contra a privatização da maior empresa brasileira, a Petrobras. Além disso, 62,4% não querem a entrega dos Correios para empresários e 67,5% não aceitam a privatização do Banco do Brasil e nem da Caixa Econômica Federal.

    mishell

    De acordo com os dados apurados pela pesquisa, Santana acredita que “é necessário intensificar campanhas que denunciem a entrega do patrimônio nacional para grupos estrangeiros, prejudicando inclusive o mundo do trabalho em nosso país e a economia como um todo”.

    Veja a íntegra da pesquisa aqui.

    Leia mais

    A voz das ruas: apoio ao impeachment cai de 61% para 48%, mostra pesquisa do Ipsos

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Todos os participantes da 9ª Plenária Estadual da Fecosul, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, elogiaram a qualidade dos palestrantes e dos debates durante o evento que iniciou na quarta-feira (6), e se encerrou nesta quinta-feira.

    Já no início da plenária, Guiomar Vidor, presidente da Fecosul e da CTB-RS, aludiu aos 80 anos da entidade e logo após houve a apresentação de um vídeo comemorativo. Nivaldo Santana, secretário de Relações Internacionais da CTB, foi o primeiro a falar sobre a conjuntura nacional.

    Ele denunciou o golpe de Estado de 2016 como um instrumento utilizado para viabilizar a retirada de direitos. Para ele, a reforma trabalhista tem como "um dos principais objetivos acabar com as entidades sindicais, inviabilizando a sua sustentação”.

    Só a luta garante barrar os retrocessos

    Na manhã da quinta-feira (7), foi a vez de Clemente Ganz Lúcio, coordenador-geral do Dieese. Clemente, em sua fala, foi enfático defendendo a ideia de que o movimento sindical precisa se reinventar. Para justificar essa afirmação, apontou as mudanças no mercado de trabalho, a diminuição das vagas de emprego, a tecnologia substituindo as pessoas.

    clementegenz fecosul plenaria 2018

    Para ele, "o sindicato precisa debater as questões éticas que envolvem a ocupação dos espaços de trabalho pelas máquinas. E precisa se adaptar a este novo cenário". Segundo sua visão a mudança na estrutura sindical é vital.

    Clemente finaliza apontando uma alternativa: "Num mundo que divide, num mundo que compete, precisamos defender a associação, a união, a solidariedade. Aqui precisa estar o sindicato".

    A seguir, Marcelo D'Ambroso, desembargador do Tribunal Regional do Trabalho, região 4 (TRT4), traça panorama geral da conjuntura política e jurídica brasileira e trata das convenções coletivas e do papel do sindicato frente a essas mudanças.

    D’Ambroso começa falando sobre a greve dos caminhoneiros. “Não podemos ignorar o papel manipulador da mídia com relação a essa greve. Já vivemos isso no Brasil e em outros países, em períodos pré-ditadura”. De acordo com ele, “mídia e conservadores criam o fato 'o Brasil não tem mais jeito, precisamos de socorro' e, assim, justificam a intervenção militar. E aí estaremos, mais uma vez, num estado de exceção".

    marcelo dambroso fecosul plenaria 2018 junho

    Para ele, "a reforma trabalhista brasileira quer discutir representação sindical, mas, ao mesmo tempo, tira o custeio das entidades. Isso é uma falácia". Por fim, o desembargador trata das mudanças legais no mundo do trabalho após a reforma e aponta as inconstitucionalidades e aquilo que precisa ser questionado.

    Em sua fala, Nivaldo Santana expressa a esperança dos presentes e da classe trabalhadora ao ressaltar que "temos a oportunidade de virar o jogo e eleger um governo que devolva os direitos para a classe trabalhadora”. Isso é o que motiva a Fecosul.

    Juliana Figueiró Ramiro – Fecosul. Fotos: Rodrigo Positivo

  • Começou na quinta-feira (16), em Brasília, o 2º Conselho Nacional das Entidades, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Com a participação de 30 entidades de todo o país, a reunião termina nesta sexta-feira (17).

    “As entidades estão se posicionando frente aos ataques à educação e às conquistas sociais e trabalhistas, efetuados pelo governo golpista de Michel Temer”, diz Isis Tavares, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Amazonas (CTB-AM).

    Para ela, que também é dirigente da CNTE, “a reforma do ensino médio (leia mais aqui) e o projeto Escola Sem Partido (saiba mais aqui) acabam com qualquer perspectiva de uma educação democrática, plural, que valorize os profissionais e respeite os jovens e as crianças em seus anseios e necessidades”.

    Aliás, diz Tavares, “acabar com qualquer possibilidade de uma educação pública de qualidade faz parte da tática golpista para minar a resistência à opressão”. O vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana falou no evento sobre a conjuntura nacional.

    cnte reuniao nivaldo

    "Temos que construir um movimento amplo de resistência para enfrentar esse governo ultraliberal”, afirma Santana. Ele complementa assinalando que “devemos ter a capacidade de atrair e incorporar os setores da sociedade atingidos pela política de desmonte do Estado brasileiro e pelo corte dos direitos conquistados".

    Tavares lembra que as entidades reunidas fortaleceram a realização da greve geral nacional marcada para o dia 15 de março no último congresso da CNTE. “Debatemos ainda a reforma da Previdência e trabalhista, que pretende nos forçar a trabalhar até morrer”, enfatiza.

    De acordo com a dirigente, os profissionais aceitaram com mito bom grado a incorporação pelas centrais sindicais da paralisação do dia 15 de março. Lucia Marina dos Santos, do Movimento dos Sem Terra (MST) diz que "A cada dia, há maior concentração da riqueza, aumento da pobreza”.

    Já Tavares acredita que “um dos pilares do golpe é frear o debate nas escolas sobre todas as questões que podem elevar o nível de criticidade da juventude, com elevação do conhecimento da nossa história e assim crie uma maior identificação com a nação”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com informações da CNTE

  • O dia 17 de abril de 2016 - um domingo - jamais será esquecido das páginas da história do Brasil. Nesse dia 367 deputados federais votaram contra o Brasil e disseram sim para o processo de impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff. Apenas 137 votaram pelo não.

    Com transmissão ao vivo pelas emissoras golpistas, o mundo viu o palco da votação e o Brasil virou chacota. Os parlamentares pareciam estar num programa infantil mandando beijinhos para os familiares. Pior que teve gente que criticou a corrupção e hoje responde processo.

    Dirigentes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) fazem um balanço desse primeiro ano do golpe que acabou com a democracia e pretende liquidar com as conquistas da classe trabalhadora no país. Confira abaixo os depoimentos:

    Nivaldo Santana, vice-presidente

    “O golpe de 17 de abril provoca efeitos dramáticos na democracia, na economia e soberania nacional e principalmente nos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e aposentados. A melhor forma de se contrapor a esse grave retrocesso é unir amplas forças sociais e políticas em defesa do Brasil, da democracia, do emprego e dos direitos conquistados”.

    Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais, Esporte e Lazer

    “Graves retrocessos acompanham as tramas golpistas neste ano de vigência do golpe. Programas como o Minha Casa, Minha Vida deixaram de atingir os mais pobres para atender a classe média. Os direitos dos povos indígenas são cada vez mais desrespeitados. Inclusive há proposta de venda de terras brasileiras para estrangeiros. Os direitos individuais também estão se perdendo com o desrespeito aos direitos humanos. A população LGBT vê recrudescer todas as suas conquistas e o Brasil é o campeão em violência contra esse grande contingente de sua população”.

    Elgiane Lago, secretária da Saúde e Segurança no Trabalho

    “O governo de Temer aprovou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 55, congelando por 20 anos os investimentos na saúde pública. Pretenda ainda transformar o SUS (Sistema Único de Saúde) em um plano ‘acessível’ para a população de baixa renda, porém diminuía qualidade do atendimento e est acabando com a Farmácia Popular, que comercializava remédios a preços acessíveis. Essas são algumas das medidas do pacote de maldade do governo golpista. São perdas irreparáveis que prejudicam diretamente a saúde do povo brasileiro”.

    Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora

    “As mulheres acumulam perdas desde a proposta de reforma da previdência pela qual igualam a idade mínima para aposentadoria, sem reconhecer que trabalhamos mais que os homens e ainda temos a dupla jornada. Além disso, o governo golpista põe fim às políticas públicas de atendimento à mulher, colaborando com a proliferação da violência”.

    Marilene Betros, dirigente

    “As trabalhadoras e os trabalhadores em educação estão sentindo o golpe na carne. Os investimentos em educação pública sofreram cortes profundos que serão difíceis de cicatrizar se não reagirmos agora. E se isso não bastasse, querem restringir a liberdade de cátedra, censurando a atuação dos profissionais em sala de aula. Em um ano, os golpistas fizeram a educação retroceder por décadas e a continuar os retrocessos se aprofundarão e o país perderá a força de toda uma geração para pensar o seu desenvolvimento enquanto nação”.

    Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial

    “A população afrodescendente perde todas as conquistas da última década. As cotas raciais nas universidades federais já constituem passado, a violência aumenta contra negras e negros, com o genocídio da juventude negra, pobre e periférica enchendo as páginas dos jornais diariamente. A discriminação cresce no mercado de trabalho, nas redes sociais e nas ruas. Tudo isso porque o golpe desenvolvido em sequência tem em sua essência a proposta de tirar da nação toda a sua riqueza e do povo brasileiro todo o seu pertencimento”.

    Raimunda Gomes, Doquinha, secretária de Comunicação

    "Em um ano de golpe testemunhamos retrocessos históricos em diversas áreas. No campo da comunicação e da cultura, o  consórcio golpista liderou um corte brutal, que eliminou possibilidades do avanço da cultura material e imaterial em nosso país. Isso não só acaba com qualquer horizonte de avanço social como, também, entrega os poucos espaços que fortalecemos à iniciativa privada. O desmonte da TV Brasil e a reestruturação do Ministério da Cultura são exemplos claros desse ataque". 

    Sérgio de Miranda, secretário de Política Agrícola e Agrária

    “Ao completar um ano do golpe, a classe trabalhadora pode contabilizar uma série de perdas. E as ameaças persistem sobre as nossas cabeças. Especificamente sobre os trabalhadores e as trabalhadoras rurais, a maior perda refere-se à extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que foi uma importante conquista porque tratava das políticas da agricultura familiar e da reforma agrária.

    O fim do MDA, dificultou muito as negociações dessas políticas, além de problematizar a efetivação de diversos programas sociais. Para piorar, os assalariados e as assalariadas do campo também têm uma enorme perda com a aprovação da terceirização ilimitada pelo Congresso. Isso certamente trará uma série de dificuldades para toda a classe trabalhadora”.

    Vítor Espinoza, secretário da Juventude Trabalhadora

    “Os ataques à educação pública impossibilitam a juventude trabalhadora de ingressar na universidade. E como se isso não bastasse, o golpe mergulhou com tudo para restringir os espaços para os jovens se manifestarem, se reunirem e se expressarem. Haja visto, a política de perseguir pichadores e grafiteiros em São Paulo. Mas a juventude reage e vai à luta. Porque é preciso sonhar, mesmo quando fazem de tudo para destruir nossos sonhos”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy