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Sex, Jul

Marcha das Margaridas

  • O dia 12 de agosto entrou para a história do Brasil como um importante marco da resistência feminina no movimento sindical. Nesse dia, em 1983, era assassinada Maria Margarida Alves, então presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, Paraíba.

    “Esse crime político abalou o movimento sindical , principalmente as mulheres, mas a força de Margarida tomou conta de todas nós e por ela foi criada a Marcha das Margaridas para elevar a voz das trabalhadoras rurais contra a injustiça e a violência às mulheres”, diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    O motivo do assassinato é evidenciado pela postura da líder sindical em defesa dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores. À frente do sindicato, Margarida moveu mais de 70 ações, por desrespeito às leis trabalhistas, contra as usinas de cana de açúcar da região. Um de seus principais lemas era: “É melhor morrer na luta do que morrer de fome”.

    “Os latifundiários já desrespeitam dirigentes sindicais homens, imagine então uma mulher corajosa, que foi morta aos 50 anos na sua cidade natal, Alagoa Grande?”, questiona Aires Nascimento, secretária adjunta da Mulher Trabalhadora da CTB.

    O proprietário da Usina Tanques, na região do sindicato presidido por ela, era o líder do chamado Grupo da Várzea, que vivia em conflito com os sindicalistaas. O seu genro, então gerente da usina, foi acusado de ser o mandante do crime.

    A Marcha das Margaridas foi criada em 2000 em homenagem a ela, que se transformou num símbolo da luta por direitos iguais às mulheres do campo. Em 2019, acontece a 6ª Marcha das Margaridas, contra a violência e o desrespeito às mulheres.

    “Agosto é um mês simbólico, de afirmação da nossa luta inspirada na vida militante de Margarida Alves. O caminhar de Margarida nos impulsiona a continuarmos mobilizadas, em resistência e com muita força para construirmos nossa 6ª edição da Marcha”, afirma Mazé Morais, secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), entidade responsável pela realização da Marcha das Margaridas.

    "Tiraram sua vida, mas deixaram espalhadas sementes de Margaridas pelo Brasil que têm certeza que vale a pena lutar pelos direitos dos povos do meio rural”, complementa Mazé. Inclusive a Contag produziu o documentário "Nos caminhos de Margarida" para registrar a história de resistência das mulheres do campo.

    Assista "Nos caminhos de Margarida", da Contag 

    “A gente não tem como esquecer (...) É uma data dolorosa, lembro da amiga, da líder sindical, da mulher que lutou em prol dos direitos das trabalhadoras(es) rurais”, diz à Contag, Maria da Soledade, sindicalista rural e amiga de Margarida.

    Para Aires, “somos milhares de Margaridas marcando presença na luta por um mundo mais justo e igual. Que as mulheres possam viver sem medo e sejam respeitadas como sujeitas das nossas vidas. Liberdade, respeito e direitos iguais, são nossas bandeiras ”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações da Contag

  • FRENTE BRASIL POPULAR - MINAS

    Secretaria Estadual: Rua Mucuri, 271. Floresta – BH / MG

    Contato: (31) 3238-5000 / (31)98425-9848

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    Belo Horizonte, 24 de junho de 2019

    Circular 06/2019

    Para:Lideranças, Organizações, Coletivos, Comitês Regionais, Municipais e locais da Frente Brasil Popular

    Assunto: Marcha das Margaridas

    Lutadoras do povo,

    Nos dias 13 e 14 de agosto acontecerá em Brasília a 6ª marcha das margaridas. O tema esse ano é: Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência.

    A Marcha das Margaridas é a maior ação de mulheres da América Latina e a mais efetiva ação das mulheres do campo, da floresta e das águas. A primeira marcha foi no ano 2000 e ela acontece a cada 4 anos reunindo mulheres camponesas de todo o país. A marcha recebe esse nome em referência à liderança camponesa Margarida Alves que foi assassinada por defender os direitos das trabalhadoras e trabalhadores rurais.

    A marcha é coordenada pela CONTAG em parceria com diversos movimentos feministas, sindicais e sociais além de parceiros internacionais. Leva as propostas e os quereres de milhares de mulheres que produzem alimentos saudáveis e sem veneno e que lutam por um país sem exploração, contra todas as formas de violência e em defesa da igualdade, autonomia, da soberania alimentar e liberdade. Essa ação estratégica busca conquistar visibilidade, reconhecimento político e social e cidadania plena.

    Na preparação para a marcha é organizado um amplo processo de formação, de debates e varias ações de mobilização. Esse ano a Frente Brasil Popular está se somando nessa construção e mobilização e, portanto convocamos a todas as mulheres dos comitês a organizarem processos de formação e mobilização nos municípios e regiões.

    Data: 13 e 14 de agosto

    Local: Brasília – DF

    No primeiro dia haverá uma plenária as mulheres de todos os movimentos e organizações e um ato político de abertura.

    Formações municipais:

    Orientamos que todas as mulheres dos comitês que façam contato com as mulheres trabalhadoras rurais e se organizem para convidar mais mulheres dos seus respectivos municípios e que realizem uma formação sobre os eixos temáticos da Marcha das Margaridas. São 6 cartilhas e cada ma tem um tema.

    O material está disponível em: 

    • Subsídio: disponibiliza informações importantes sobre a Marcha

    http://www.contag.org.br/imagens/ctg_file_350653567_24012019145732.pdf

    • Caderno 1: Trata do lema: Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência, e o eixo: Por democracia com igualdade e fortalecimento da participação política das mulheres:

    http://www.contag.org.br/imagens/ctg_file_1919922208_26042019100737.pdf - 

    • Caderno 2: Trata dos eixos: Pela autodeterminação dos povos, com soberania alimentar e energética e Pela proteção e conservação da sociobiodiversidade e acesso aos bens comuns;

    http://www.contag.org.br/imagens/ctg_file_161494114_26042019100836.pdf –

    • Caderno 3: Trata dos eixos:  Por terra, água e agroecologia e Por autonomia econômica, trabalho e renda;

     http://www.contag.org.br/imagens/ctg_file_365093296_26042019101337.pdf –

    • Caderno 4: Trata dos eixos: Pela autonomia e liberdade das mulheres sobre o seu corpo e a sua sexualidade e Por uma vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexismo;

     http://www.contag.org.br/imagens/ctg_file_1295825600_26042019101423.pdf –

    • Caderno 5: Trata dos eixos: Por previdência e assistência social pública, universal e solidária e Por saúde pública e em defesa do Sistema Único de Saúde:

     http://www.contag.org.br/imagens/ctg_file_295644382_26042019101538.pdf –

    • Caderno 6: Trata do eixo:  Por uma educação não-sexista e antirracista e pelo direito à educação do campo.

     http://www.contag.org.br/imagens/ctg_file_223382986_26042019101618.pdf – 

    Caravana:

    Sairão ônibus de vários municípios de Minas Gerais, entre em contato com sindicatos da CUT e CTB de suas cidades e sua região para saber sobre a organização das caravanas e de vagas para os movimentos.

    Para o financiamento dos ônibus, solicitamos às companheiras que entre em contato com as organizações para ver doações. Além disso, é importante pensarem em outras formas de arrecadação.

    Orientações:

    Para quem vai à caravana, como a atividade acontecerá em dois dias será necessário dormir. Lá em Brasília o clima varia bastante, sendo um forte calor durante o dia e bastante frio durante a noite e o clima está bem seco nessa época do ano. Além disso a caminhada no dia 14 será longa, por isso passamos uma listinha de coisas que não deve faltar na sua bagagem:

    • Colchão, roupas de cama, travesseiro e cobertores;
    • Toalha, material de higiene pessoal (escova de dente, creme dental, papel higiênico... e tudo mais);
    • Roupas confortáveis para a caminhada e agasalho para a noite;
    • Garrafinha de água;
    • Tênis confortável para a caminhada;
    • Chapéu/ boné e protetor solar;
    • Bandeiras do seu movimento.

    Somos todas margaridas!

    É pela vida das mulheres!

     

    Com informações de Frente Brasil Popular Minas

  • Acontece nesta sexta-feira (8), Encontro das Mulheres com Dilma em Defesa da Democracia, na Casa de Portugal, na capital paulista, a partir das 14h.

    portuga

    “As mulheres estão mostrando a sua força e impulsionando o movimento para a presidenta voltar ao cargo para o qual foi eleita”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A sindicalista afirma que o movimento das mulheres não é “apenas a defesa de um mandato, mas sim o respeito à escolha democrática de milhões de brasileiras e brasileiros, que elegeram a presidenta Dilma”.

    Além disso, ela argumenta que o golpe está em andamento para acabar com as conquistas da classe trabalhadora. Ela cita a proposta de “idade mínima para a aposentadoria aos 70 anos, a terceirização escancarada, o desmonte da Secretaria de Políticas para as Mulheres e o cerceamento de diversos direitos e a proposta de mudança da Lei Maria da Penha, dificultando as denúncias”.

    Leia mais

    Mulheres encontram Dilma em ato pela democracia nesta sexta (8), em São Paulo

    Além disso, afirma, “os direitos das mulheres correm sérios riscos com esse governo golpista e neoliberal”. Ela se refere aos inúmeros projetos em tramitação no Congresso Nacional mais conservador do período pós-ditadura, que visam dificultar a vida das mulheres.

    Ela lembra ainda que a Comissão de Anistia aprovou nesta quarta-feira (6) anistiou pós-morte a  líder sindical rural, Margarida Maria Alves, que deu nome à Marcha das Margaridas, liderada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura. “É de suma importância o reconhecimento do Estado brasileiro do assassinato dessa guerreira do nosso povo”. Margarida foi assassinada em 1983, por lutar pela reforma agrária e pela igualdade de direitos.

    Ivânia acredita que esse encontro de amanhã (sexta, 8), em São Paulo, fortalecerá a presidenta Dilma em sua volta ao Palácio do Planalto. “Somente com Dilma na Presidência poderemos convocar um plebiscito com ampla participação popular para decidir sobre novas eleições”.

    Participações Culturais

    Ilú Obá de Min
    Luana Hansen
    Sharylaine

    Serviço

    Encontro das Mulheres com Dilma em Defesa da Democracia

    Sexta-feira (8), a partir das 16h
    Local: Casa de Portugal São Paulo - Av. da Liberdade, 602 - Liberdade

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O Fórum Nacional das Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais divulgou nesta quinta-feira (30) o seu folder para fortalecer a campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres.

    “O folder destaca os absurdos retrocessos que a reforma trabalhista apresenta sobre os direitos trabalhistas, mas não esquece das pautas específicas das mulheres como o assédio moral e sexual, além da violência que campeia no país”, diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Acesse o folder aqui imprima e distribua.

    Trabalho intermitente, terceirização, gestantes e lactantes trabalhando em locais insalubres, contrato temporário de trabalho e muitos outros itens da (de)forma trabalhista que prejudica a classe trabalhadora, essencialmente as mulheres, estão no texto para ser distribuído para a população.

    “Os dados de violência contra as mulheres são alarmantes e nós precisamos dar um basta em tudo isso. Essa campanha acontece num momento crucial da vida do país comum governo que governa contra o povo e contra as mulheres”, reforça Arêas.

    Marcha das Margaridas

    celina rurais contag marcha das margaridas

    A secretária da CTB participou ainda, na terça-feira (28) de uma reunião com trabalhadoras rurais e lideranças feministas, em Brasília, para definição da Marcha das Margaridas 2018.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • As organizações parceiras da Marcha das Margaridas divulgaram carta explicando porque as Margaridas aderiram ao movimento #EleNão. O documento também faz um chamado para que todas as companheiras intensifiquem os processos de mobilização e diálogo com a sociedade, em defesa de candidaturas comprometidas com o projeto democrático, popular, feminista, antirracista, soberano, agroecológico e assentado na reforma agrária.

    A carta também repudia as medidas implementadas pelo governo ilegítimo de Michel Temer, contrárias aos interesses das trabalhadoras e trabalhadores, com apoio de deputados(as) e senadores(as) que defendem uma agenda privatista, conservadora e antidemocrática, a exemplo da Emenda Constitucional 95 e Reforma Trabalhista. Além disso, houve o acirramento do machismo e, consequentemente, o aumento expressivo dos casos de violência, principalmente contra as mulheres; bem como o corte drástico dos recursos destinados à obtenção de terras da Reforma Agrária, que não permite atender sequer aos processos já em andamento.

    Leia a carta na íntegra:

    É tempo de eleições! E nós, as Margaridas, mulheres trabalhadoras do campo, da floresta e das águas – agricultoras, assentadas, camponesas, assalariadas rurais, indígenas, quilombolas, extrativistas, quebradeiras de coco, seringueiras, catadoras de mangaba, ribeirinhas, pescadoras artesanais, faxinalenses, sertanejas, vazanteiras, caatingueiras, criadoras em fundos de pasto – nos dirigimos à sociedade brasileira para dialogarmos sobre o que está em jogo nestas eleições.

    Entendemos o pleito eleitoral 2018 como um dos mais decisivos da história democrática do País, pois se realiza em meio a um golpe parlamentar-jurídico-midiático, em curso desde 2016, com a destituição da primeira mulher presidenta da República, eleita democraticamente, e que teve como um de seus desdobramentos o impedimento da candidatura à Presidência de um dos principais líderes políticos nacionais: o presidente Lula, por cuja liberdade seguimos mobilizadas.

    Os pilares que nos mobilizam se firmam na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, igualdade, justiça e garantia de direitos, que oportunizem autonomia e liberdade às mulheres. Pilares que vêm sendo sistematicamente ameaçados pelo golpe.

    Atravessamos uma crise política, econômica e social com profundos impactos na vida das mulheres. O governo ilegítimo de Michel Temer, em pouco mais de um ano e meio, aprovou muitas medidas contrárias aos interesses das trabalhadoras e trabalhadores, com apoio de deputados(as) e senadores(as) que defendem uma agenda privatista, conservadora e antidemocrática. Uma dessas medidas foi a aprovação da Emenda Constitucional nº 95/2016 (EC-95), que inviabilizou a garantia de direitos previstos na Constituição de 1988 ao autorizar o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, reduzindo, assim, drasticamente, os investimentos em áreas essenciais como saúde, educação, moradia e assistência social.

    Além dessa medida, o pacote de maldades de Temer e de seus aliados incluiu a aprovação da Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017), que flexibilizou direitos já consolidados, submetendo trabalhadoras(es) a relações e condições de trabalho mais precárias, a exemplo da permissão para que mulheres gestantes e lactantes pudessem trabalhar em atividades insalubres. Soma-se a isso a tão apregoada reforma da previdência, que ainda corre o risco de ser aprovada a depender do próximo governo eleito.

    Todas estas medidas refletem o acirramento do machismo e, consequentemente, o aumento expressivo dos casos de violência, principalmente contra as mulheres. No Brasil, dados registram que a cada duas horas uma mulher é assassinada, sendo as mulheres negras as principais vítimas. De acordo com o Atlas da Violência 2018, em 2016, a taxa de homicídio entre as mulheres negras alcançou 71% a mais do que entre as não negras.

    Vivemos, assim, um cenário marcado pelo agravamento das condições de vida de parte significativa da sociedade, particularmente, as mulheres, as populações negras, rurais e das periferias urbanas. Expressão disso é o avanço da pobreza extrema, que de 2016 para 2017 teve um aumento de 11,2% no País, atingindo 15 milhões de pessoas segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios/IBGE (Pnad/2018). Com isso, volta a assombrar o Brasil a insegurança alimentar e a fome, que haviam sofrido redução de 2003 a 2015, durante os governos populares, situação que pode levar o País a integrar novamente o Mapa da Fome.

    Se olharmos as políticas para o campo, o cenário é crítico, sendo o aumento da violência no campo uma cruel realidade. Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) revelam que, somente em 2017, foram registrados 71 assassinatos (maior número desde 2003), envolvendo trabalhadores e trabalhadoras do campo, indígenas, quilombolas e outros integrantes das populações tradicionais, que atuam na luta pela terra, água e outros bens comuns. Este cenário tem sido agravado pelo sucateamento da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma agrária (Incra). Em 2018, por exemplo, o corte drástico dos recursos destinados à obtenção de terras da Reforma Agrária não permite atender sequer aos processos já em andamento.

    Nesse contexto de desmonte, ministérios e secretarias ligados, principalmente, às áreas sociais, dentre eles o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e o Ministério da Previdência Social (MPS), foram extintos. Junto a isto veio o conjunto de desmontes, incluindo o corte no orçamento, que em 2018 foi da ordem de R$ 4,3 bilhões dos recursos destinados às políticas de desenvolvimento rural, quando comparados a 2017. Isso atingiu drasticamente a execução de programas essenciais ao fortalecimento da agricultura familiar e camponesa, a exemplo do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR), Programa Bolsa Verde, Programa de Cisternas, a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural e Programa Bolsa família.

    Como se não bastasse tudo isso, a bancada ruralista no Congresso Nacional tem intensificado sua ação contra as trabalhadoras(es) do campo, da floresta e das águas. Uma das iniciativas é a tramitação de um conjunto de projetos de lei que favorece a indústria de agrotóxicos, buscando flexibilizar o seu uso e a sua comercialização no País, o chamado “Pacote do Veneno”, infringindo o direito humano à saúde e à alimentação adequada.

    Todo este cenário tem feito crescer não só a pobreza, fome e a negação dos direitos à maioria da população, mas também tem disseminado o ódio, racismo, misoginia e intolerância na sociedade. Tais valores têm sido reforçados nas plataformas de governo de candidatos de extrema direita, colocando em risco a soberania popular. Diante disso, a Marcha das Margaridas assume o seu compromisso com os ideais feministas, na luta por uma sociedade pautada na igualdade de direitos entre os gêneros. Assim, seguimos em marcha pela afirmação radical de que as mulheres são gente.

    Nós, mulheres do campo, da floresta e das águas lutaremos ao lado de todas e todos que se mobilizam pelo País, na luta contra candidatos(as) que atuam de forma articulada em favor das grandes corporações, do agronegócio e que defendem o ódio e a violência como ferramenta de controle das nossas vidas e corpos. Lutaremos para que as suas agendas sejam derrotadas nas urnas.

    Nestas eleições, estão em jogo a nossa democracia, o direito a um país com igualdade social, de gênero, raça e etnia e com soberania alimentar, energética e hídrica. Nesse sentido, convidamos todas as mulheres e todo o povo brasileiro a estarem conscientes e alertas, não votando em candidaturas contrárias aos interesses da maioria da população e articuladoras do golpe. Nessa hora, é fundamental pesquisar a trajetória dos(as) candidatos(as) para não elegermos aqueles que votaram nas medidas anti-povo, como a Emenda Constitucional 95/2016 e a Contrarreforma Trabalhista. Acreditamos que para resgatar a democracia é preciso rever essas e outras medidas aprovadas pelo governo golpista, por isso, apoiamos a convocação de um referendo revogatório onde seja submetida ao povo a decisão sobre todos os temas aprovados.

    À vista disto, temos a importante missão de elegermos candidatas(os) compromissadas(os) com as pautas populares e democráticas, principalmente, direcionando nosso voto às candidaturas de mulheres, LGBTIs, negras(os), agricultoras(es) familiares e demais segmentos sub-representados nos espaços de poder.

    Frente a este desafio, nós aderimos ao movimento #EleNão e conclamamos todas as Margaridas a intensificarem os processos de mobilização e diálogo com a sociedade, em defesa de candidaturas comprometidas com o nosso projeto: democrático, popular, feminista, antirracista, soberano e agroecológico, assentado na reforma agrária como condição básica para a reconstrução da sociedade brasileira sob os pilares da democracia, justiça e igualdade.

    Avante! As Margaridas e todo povo trabalhador vão fazer florescer um Brasil feliz de novo.

    Fonte: Contag

  • Reunidas no Seminário Nacional de Desenvolvimento da Agricultura Familiar da Contag, trabalhadoras rurais, realizaram um ato que reafirmou que o debate sobre o conceito da agricultura familiar, passa pela  valorização e reconhecimento das agricultoras familiares na produção de alimentos saudáveis, como guardiãs das sementes e da biodiversidade, defensoras da agroecologia, da produção orgânica e do bem viver.

    A atividade que reuniu mulheres e homens de diversas regiões do país, contou com uma grande ciranda e a leitura de uma carta escrita pela Comissão Nacional de Mulheres da Contag.

    O evento, que reúne em média 300 dirigentes, em Brasília, conta com uma ampla participação da CTB, e encerra o ciclo dos cinco Seminários Regionais realizados nos últimos meses, para debater e aprovar a Resolução sobre Conceito de Agricultura Familiar para Representação pelo Sistema Confederativo Contag e temas como o Fundo de Amparo Social, Paridade e Cota Mínima de Mulheres, e Cota Mínima de Juventude.

    Confira a íntegra da Carta Abaixo:

    CARTA ABERTA DAS MULHERES TRABALHADORES RURAIS AGRICULTORAS FAMILIARES AO MOVIMENTO SINDICAL

    Nós, mulheres trabalhadoras rurais agricultoras familiares participantes do Conselho Deliberativo Ampliado, denominado Seminário Nacional sobre Desenvolvimento da Agricultura Familiar, realizado em Brasília, no período de 18 a 21 de setembro de 2017, afirmamos que o debate sobre o conceito da agricultura familiar, passa necessariamente pela nossa valorização e reconhecimento do nosso trabalho na produção de alimentos saudáveis, como guardiãs das sementes e da biodiversidade, defensoras da agroecologia, da produção orgânica e do bem viver.

    A realização deste Conselho, que objetiva a construção de consenso em torno do conceito da agricultura familiar para fins da representação sindical, é um importante passo para a organização e fortalecimento do nosso sistema confederativo.

    Entretanto, a discussão e pactuação dos marcos referenciais da agricultura familiar - baseados no tamanho do estabelecimento, na contratação de mão de obra, na composição da renda familiar, dentre outros - não devem prescindir do debate sobre as bases do desenvolvimento rural sustentável e solidário que defendemos para o Brasil.

    Orientadas pelo acúmulo historicamente construído pelas mulheres do campo, da floresta e das águas, que se expressa desde as práticas cotidianas - na unidade de produção familiar e nos quintais produtivos - até as lutas coletivas fortalecidas pelas Marchas das Margaridas, queremos reafirmar a importância do movimento sindical assumir a agroecologia como referência para o fortalecimento da agricultura familiar.


    A defesa e a promoção de práticas agroecológicas exigem tanto o manejo sustentável, baseado na diversificação e consórcio de culturas, livres de agrotóxicos e transgênicos, quanto mudanças no modo de vida e na construção de relações sociais justas e igualitárias. Assim, sob nossa ótica não há agroecologia sem feminismo, afinal, não basta respeitar o meio ambiente e diversidade de seres que habitam os solos e as águas, é preciso lutar contra todas as formas de opressão e violência, contra todo o machismo e racismo que ainda impacta sobre a vida das mulheres.


    A atual conjuntura de desmonte dos direitos da classe trabalhadora e de criminalização dos movimentos sociais e sindicais exige-nos trilhar de forma ainda mais estratégica e combativa os rumos da ação e organização do sistema CONTAG. Por tudo isso, é preciso que a conceito de agricultura familiar, consensuado neste Conselho, esteja contextualizado nos princípios do PADRSS, guiando nossa luta em defesa:

    • do direito à água e à terra, por meio da reforma agrária ampla e de qualidade e da demarcação dos territórios quilombolas e indígenas;
    • da garantia de políticas de organização e comercialização, que contemple a diversidade regional e as mulheres;
    • da soberania e segurança alimentar;
    • da retomada da democracia;
    • dos direitos sociais e políticas públicas contextualizadas pelas realidades e saberes produzidos nos territórios rurais;
    • da superação das desigualdade entre homens e mulheres, nos âmbitos público e privado.
    • do combate a todas as formas de violência, expressos nos conflitos agrários, no trabalho escravo e na violência contra as mulheres.

    Comprometidas com estes princípios e bandeiras de luta, seguiremos firmes pelo fortalecimento da agricultura familiar e da agroecologia, valorizando o importante papel assumido, historicamente, por nós, mulheres, nessa caminhada.
    Seguiremos na luta, até que todas sejamos livres.

    Brasília, 20 de setembro de 2017.

  • Mais de 400 sindicalistas rurais, ligadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) estarão na capital federal para a 6ª Plenária Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais, entre esta terça-feira (8) e a sexta-feira (11), na sede da Contag.

    A plenária ocorre na sede da Contag com o tema “Margaridas trabalhadoras rurais por paridade rumo à igualdade: a luta é todo dia!” Também é preparação para o 12º Congresso Nacional de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CNTTR), que ocorre em março, na Câmara dos Deputados.

    “A luta pela igualdade de gênero, mais do que nunca, está na ordem do dia. Principalmente após o golpe de Estado que sofremos”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

    “É hora de resistência e de enfrentamento. A classe trabalhadora pode sofrer um retrocesso sem parâmetros na nossa história”, diz Pereira. Porque “são as mulheres que sofrem os maiores ataques. Já são discriminadas no mercado de trabalho e com as retiradas de direitos perdem mais ainda. Porque o objetivo dos golpistas é tirar até a nossa condição humana”.

    A sindicalista sergipana afirma ainda que para as trabalhadoras rurais a “situação fica ainda maios difícil, a começar pelo fim do programa de agricultura familiar, o que significa menos trabalho e muito menos renda para as famílias do campo”.

    De acordo com a direção da Contag, a plenária terá como público prioritário as mulheres dirigentes das federações filiadas à entidade, “em especial aquelas que compõem as Comissões Estaduais de Mulheres ou as coordenações de polo”.

    margaridas contag midia ninja

    “Garantir a paridade para além dos números demonstra o compromisso político das organizações de agricultoras e agricultores familiares na luta permanente pela superação dos impactos do patriarcado na vida das mulheres, na busca por superar o desafio da construção de relações mais democráticas no cotidiano sindical e, consequentemente, na sociedade”, diz Alessandra Lunas, secretária de Mulheres da Contag.

    Ainda conforme informação da confederação, serão debatidos os temas relevantes ao empoderamento das mulheres na sociedade, além de refletir sobre com acabar com a violência de gênero no país, que cresce dia a dia.

    Para Pereira, é importantíssimo, a unidade das feministas. “O golpe trouxe com muita força a ideologia do patriarcado, forjada por séculos”, diz. “Estamos vivenciando retrocessos inimagináveis e precisamos reagir à altura. Nos unir aos estudantes e às meninas que reforçam o movimento contra a cultura do estupro”.

    Ela acredita ser fundamental a ideia de “ocupar todos os espaços possíveis para mostrar que não estamos par kma brincadeiras, como fizeram as argentinas e as polonesas”. Para a cetebista, “a violência de gênero está virando uma banalidade de tão corriqueira. Temos que dar uma basta nisso, ou sofreremos u retrocesso civilizacional insuportável”.

    Além dos debates, estudo dos textos e trabalhos em grupos, estão sendo planejados momentos culturais, oficinas, troca de sementes, ato público e lançamento do vídeo documentário sobre a sindicalista Margarida Alves, assassinada em 1983. O evento terá transmissão ao vivo pelo Mídia Ninja.

    Assista vídeo sobre a 5ª Marcha das Margaridas 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com informações de Verônica Tozzi, da Contag