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Ter, Jul

Jornalista Livres

  • Na campamnha eleitoral de 1989, dona Marisa puxa a candidatura de Lula à Presidência para cima

    (Foto: Arquivo pessoal)

    “A mídia ignorou a trajetória de dona Marisa como se ela tivesse sido apenas uma dona de casa, vivendo à sombra do marido”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Pereira se refere ao fato de a biografia de dona Marisa ter tido pouco destaque. “Ignoraram que ela foi uma guerreira desde a infância. Participou ativamente dos movimentos pela melhoria da vida do povo e das campanhas presidenciais do marido (Luiz Inácio Lula da Silva)”, diz.

    A labuta da menina que nasceu em São Bernardo do Campo, em 7 de abril de 1950 no seio de uma família pobre, começou muito cedo. Aos 9 anos já trabalhava como babá de sobrinhos do pintor Candido Portinari, num tempo em que não existia regulação nenhuma para o trabalho doméstico, nem controle sobre o trabalho infantil.

    De acordo com informações da Fundação Perseu Abramo e dos Jornalistas Livres, aos 13 anos ela já era operária da fábrica de balas, dropes e confeitos Dulcora. Dali saiu para o primeiro casamento aos 19 anos. Seis meses depois estava viúva e grávida do primeiro filho.

    Com a morte do primeiro marido, dona Marisa foi à luta para sustentar ela e o filho. Como operária foi ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (na época de São Bernardo e Diadema), tratar da pensão do falecido marido, onde conhece Lula, então responsável pela assistência social do sindicato.

    Começa o namoro com ele em 1973 e se casam em 1974. Lula se torna presidente do sindicato no ano seguinte. Ela disse em uma entrevista que cansada da ausência do marido sindicalista, decidiu fazer um curso de política com Frei Betto.

    marisa lula casamento

    Foto: Arquivo pessoal

    A sua militância cresceu e não parou mais. Em outra entrevista afirmou que “em um casamento o amor é muito importante. Mas sonhar juntos é fundamental”. E ela fez o seu marido sonhar com ela em construir um novo Brasil.

    Tanto que para a presidenta deposta Dilma Rousseff dona Marisa foi uma "mulher de fibra, batalhadora que conquistou espaço e teve importante papel político”. Foi ela que fez a primeira bandeira do Partido dos Trabalhadores (PT), no ano de sua fundação em 1980.

    "Eu tinha um tecido vermelho, italiano, um recorte guardado há muito tempo. Costurei a estrela branca no fundo vermelho. Ficou lindo". Nesse mesmo ano, o ex-presidente Lula foi preso juntamente com outros sindicalistas, porque na ditadura (1964-1985) a greve era proibida.

    Dona Marisa então arregaçou as mangas e organizou uma grande passeata só de mulheres pelo centro de São Bernardo contra a prisão arbitrária dos dirigentes sindicais. "Hoje parece loucura. Fizemos uma passeata das mulheres. Encheu de polícia”, contou ela à Fundação Perseu Abramo.

    Em 1º de janeiro de 2003, tornou-se primeira-dama com a posse de Lula à Presidência da República. No mesmo ano disse à revista Criativa que “quando somos jovens imaginamos que o mundo tem que ser cor-de-rosa, só que ele não é. Isso muitas vezes é um choque. O amadurecimento proporciona isso, compreensão das coisas, mais paciência. Nós aproveitamos o nosso tempo juntos para ficar bem, felizes”.

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    Já como primeira-dama em solenidade em Brasília (Foto: Ricardo Stuckert)

    Já a ex-ministra Miriam Belchior afirma que “fora de casa Lula é o centro das atenções. No campo doméstico, Marisa é soberana. Ela é a âncora da família”.

    “A morte de Marisa Letícia mostra que as pessoas estão perdendo o sentimento de humanidade”, reforça a cetebista Pereira. “A mídia burguesa enxerga a mulher somente como coadjuvante, sempre à sombra dos homens. Assim não veem a nossa luta para construir o mundo novo. Luta que contou com a presença dessa guerreira".

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Em plena terça-feira (5), cerca de mil pessoas de todas as cores e orientações sexuais “tomaram a Praça Roosevelt”, como disse a atriz Ana Petta, uma das apresentadoras do Sarau das Mulheres pela Democracia, que aconteceu no centro da capital paulista, a partir das 17h.

    “Estamos aqui para repudiar esse ataque covarde que a revista IstoÉ promoveu à presidenta Dilma. Numa reportagem insidiosa e mentirosa”, afirma Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP).

    “Estamos nas ruas com toda essa alegria, contando com a irreverência da juventude para barrar esse golpe contra o país e o povo brasileiro e dizer à mídia golpista que quando atacam a Dilma, atacam a todas nós, mulheres guerreiras brasileiras”, diz a sindicalista.

    Representando a Unão Nacional LGBT, Valéria Rodrigues afirma que a UNA-LGBT está nas ruas para defender os direitos de todas as pessoas por uma vida digna. "É fundamental que nós, da comunidade LGBT, estejamos aqui nessa praça linda, defendendo nossos direitos".

    Coordenado por inúmeros coletivos culturais de São Paulo, o sarau foi transmitido ao vivo na internet pela Fundação Perseu Abramo e pelos Jornalistas Livres. “As mulheres sempre estiveram na frente da batalha pela liberdade e por direitos iguais neste país”, diz a militante veterana Liége Rocha, da União Brasileira de Mulheres (UBM).

    A nefasta matéria de capa da revista IstoÉ foi lembrada todo o tempo. "Quando ofendem a Dilma, ofendem cada uma de nós, mulheres brasileiras”, fala Juliana Borges, secretária da Mulher do Partido dos Trabalhadores de São Paulo.

    As apresentações artísticas foram se sucedendo no palco e nas imediações da praça. "O espaço público está sendo ocupado por uma juventude que pede avanços à jovem democracia brasileira", diz Cláudia Rodrigues, da UBM-SP. É o caso da Marina Veneto, presente no ato: "Toda mulher tem o coração guerreiro e, por isso, nós somos a democracia”.

    Coletivos culturais da periferia se apresentaram. Rappers da Frente Nacional Feminista do Movimento Hip Hop cantaram e encantaram com poesias fortes contra o machismo e a misoginia (ódio às mulheres). “Os caras não têm se segurado porque não suportam o fato de termos hoje uma mulher no poder”, realça Preta Rara.

    A secretária municipal de Políticas para as Mulheres de São Paulo, Denise Mota Dau, lembrou que outras publicações fizeram a mesma coisa que a revista IstoÉ em diversos países onde as mulheres ocupam o cargo de mandatária. "Estamos nas ruas para denunciar todas as manipulações dessa mídia partidária, para defender a democracia e para superar todas as desigualdades”, defende Denise.

    A ativista feminista Rachel Moreno fez questão de participar do sarau. "Eles pensaram que estávamos dormindo ou que sua ladainha midiática faria nossas cabeças, mas estamos bem acordadas e ligadas nos acontecimentos em tempo real”.

    Logo a seguir, a presidenta da Apeoesp (sindicato das educadoras e educadores da rede pública estadual de São Paulo) Maria Izabel Noronha, a Bebel, afirmou: "Não aceitaremos nenhum golpe contra a nossa jovem democracia. Permaneceremos nas ruas até enterrarmos de vez essa sanha golpista midiático-jurídica infame”.

    Gicélia lembra que “o bicho homem é o único animal que agride a sua companheira”. Ela conta que, antigamente, sarau era feito pela burguesia e as mulheres eram vistas como adornos. "Agora fazemos este sarau para mostrar à burguesia que não aceitaremos nenhum direito a menos”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy – Foto: Mídia Ninja

  • Liderados pela União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), dezenas de jovens acamparam na noite da terça-feira (13) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para forçar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Merenda “a investigar pra valer e punir os responsáveis pelo desvio da merenda escolar no estado”, diz Emerson Santos, o Catatau, presidente da Upes.

    A CPI da Merenda só foi instalada após muita pressão dos estudantes (leia mais aqui). Nesta quarta-feira (14), O depoimento mais aguardado é do presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), acusado por diversos delatores de ser o principal beneficiário do esquema (saiba mais aqui).

    Acompanhe o que disse Fernando Capez à CPI da Merenda 

    Em seu depoimento, Capez nega todas as acusações. “Jamais interferi por ninguém. Nunca conversei com o Padula (Fernando, ex-chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Educação, também acusado) na minha vida”, jurando inocência.

    “Muitas reuniões da CPI têm acontecido a portas fechadas e isso não pode mais ocorrer. Quem não deve não teme, mas quem é acusado de desvios de dinheiro público deve explicações para a sociedade, ainda mais sobre algo tão grave como tirar comida de crianças”, afirma Catatau.

    acampamento alesp upes cpi merenda

    Crédito: Jornalistas Livres

    A reunião começou às 10h. Cerca de 25 estudantes conseguiram entrar para acompanhar, mas não sem repressão policial antes de serem autorizados. Ao menos dois foram detidos, denuncia a Mídia Ninja, com vários feridos. Inclusive um jovem com menos de 18 anos foi detido pela Polícia Militar, conta Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

    Veja ação da PM do governador Geraldo Alckmin  

    Por isso, “estamos acompanhando todos os passos desta CPI para não acabar em pizza”, afirma Catatau. “Alguém tem que punir os ladrões da merenda, porque não permitiremos que enganem a sociedade e os estudantes paulistas fiquem sem merenda por causa de falcatruas”. A palavar de ordem da Upes é "resistir e ocupar até a punição dos ladrões da merenda".

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    Quem vai prender os ladrões da merenda no estado de São Paulo?

    Cadê a merenda de nossas crianças, Geraldo Alckmin?

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

    Foto destaque: Pedro Lopes, Mídia Ninja

  • Colégio Santa Felicidade, de Curitiba, onde o corpo do menino foi encontrado

    Educadores afirmam que a população do Paraná ficou chocada com a notícia da morte de Lucas Eduardo Araújo Mota, 16 anos, nas dependências do Colégio Santa Felicidade em Curitiba, nesta segunda-feira (24). O governador Beto Richa (PSDB) não perdeu tempo em criminalizar as ocupações.

    “A ocupação de escolas no Paraná ultrapassou os limites do bom senso e não encontra amparo na razão, pois o diálogo sobre a reforma do ensino médio está aberto, como bem sabem todos os envolvidos nessa questão”, divulgou Richa em sua nota de pesar. O que fica patente é exatamente o contrário.

    O fato mostra a falta de segurança pública no estado e que a polícia é despreparada para lidar democraticamente com a população.

    O grupo Jornalistas Livres denuncia terror no colégio onde Lucas foi encontrado 

    Ao que prontamente os movimentos sociais responderam. A APP-Sindicato dos Professores do Estado do Paraná lamentou a criminalização dos movimentos de maneira tão torpe. “Infelizmente neste momento triste, surgem tentativas de criminalização do movimento legítimo dos estudantes e vinculação do sindicato ao episódio. A APP-Sindicato repudia tais ações. Assim como a sociedade paranaense, esperamos a apuração do caso pelos órgãos competentes”.

    Nesta terça-feira (25), a Polícia Militar do estado apreendeu um adolescente de 17 anos que confessou o crime. De acordo com o secretário de Segurança Pública, Wagner Mesquita os jovens consumiram droga e se desentenderam. O jovem morto tentou se refugiar na escola onde foi assassinado. O Ministério Público do Paraná passou a acompanhar as investigações.

    O Ocupa Paraná divulgou nota repudiando a criminalização das ocupações de escolas contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241 e a reforma do ensino médio. “Apesar das diversas correntes de ódio que tomaram conta do estado no dia de hoje, nós do movimento Ocupa Paraná não queremos e nem vamos culpabilizar ninguém pelo acontecido. Neste momento queremos apenas prestar solidariedade à família de Lucas, família que perde um dos seus para o ódio, para a intolerância e para a violência”.

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    A PEC 241 e a reforma do ensino médio destroem os sonhos de uma geração inteira

    Em defesa da educação, milhares de estudantes fazem manifestações pelo Brasil afora

    As entidades máximas do movimento estudantil também rechaçaram a utilização política da fatalidade. “É importante destacar que as manifestações com ocupações de escolas se iniciaram em todo o país há mais de um mês contra a proposta de Medida Provisória 746 e a Proposta de Emenda Constitucional 241 e, desde o início, são pacíficas e abertas diálogo. Os estudantes se organizam, votam em assembleia, dividem-se em grupos de trabalho e mantém a ordem e a limpeza dentro das instituições”, diz trecho do texto assinado pela União Nacional dos Estudantes, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e Associação Nacional dos Pós-graduandos.

    Os Advogados e Advogadas pela Democracia reclamaram de que foram impedidos pela Polícia Civil de acompanhar os depoimentos prestados pelos adolescentes. Depois de muita reclamação conseguiram entrar na escola onde ocorreu o crime.

    A advogada Tania Mandarino conseguiu entrar na escola e conversou com 12 alunos, que relataram a ocorrência de uma briga no colégio e que o suposto agressor/assassino seria um jovem que não teria relação com o colégio e seus alunos. "Tudo indica que o ódio contra as ocupações funcionou: temos um cadáver", diz.

    “Mas a tragédia não parou o movimento, nem colocou a sociedade paranaense contra o movimento das ocupações de escolas para defender a educação pública”, diz a estudante Arizla Nathally Fernandes de Oliveira, de Quatro Barras, interior do estado.

    Tanto que ocorre na quarta-feira (26), às 8h da manhã, na capital Curitiba, a Assembleia Estadual das Escolas Ocupadas para avaliar e decidir os novos rumos do movimento.

    Profissionais da educação

    Integrantes do núcleo Educação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Paraná (CTB-PR) informam que ocorre uma reunião da comissão dirigente da greve nesta terça-feira (25).

    ASSEMBLEIA DOS PROFESSORES BRUNNO COVELLO 4

    “A APP-Sindicato analisa as medidas cabíveis contra o posicionamento do governador Richa, que criminaliza a greve e se recusa ao diálogo”, afirma Francisco Manoel de Assis França, conhecido como professor Kico.

    Assista entrevista com dirigente da APP-Sindicato para a TV Tarobá, de Cascavel 

    De acordo com o educador de Curitiba, a paralisação atinge cerca de 70% da categoria e a “intransigência do governo faz o movimento crescer mais rapidamente. Estamos parados contra o calote que sofremos, contra a PEC 241 e contra os desmandos do governo estadual”, diz.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy