Sidebar

21
Dom, Jul

Emerson Santos

  • Mais de 3 mil estudantes e docentes tomaram as ruas do centro da capital paranaense, Curitiba, neste domingo (9) contra a reforma do ensino médio (medida provisória 746/16) e as mudanças na legislação estadual propostas pelo governador Beto Richa (PSDB) (saiba mais aqui).

    “Os Trabalhadores e trabalhadoras da educação pública do estado saíram às ruas em apoio aos estudantes que já ocupam escolas contra essa reforma autoritária e elitistas do ensino médio”, dia Francisco Manoel de Assis França, o Professor Kico, da CTB-PR Educação.

    Camila Lanes convoca estudantes a ocuparem as escolas para defender a educação 

    A presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes explica que a juventude se mobiliza em todo o país até “a MP 746 (reforma do ensino médio) ser retirada de pauta e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 241 engavetada definitivamente”.

    A União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes) repudia também “as declarações do governador Beto Richa que desqualificam a luta dos estudantes e busca deslegitimar as ocupações, desconhecendo que as ocupações são uma reação à forma com a educação é tratada” pelo poder público.

    Manifestação dos secundaristas paranaenses no domingo em Curitiba  

    Lanes define os dois projetos do governo golpista como ataques aos direitos das filhas e filhos da classe trabalhadora. “Somos contra a MP 746 porque queremos participar das discussões sobre o nosso futuro e não queremos aprender somente a somar, subtrair e apertar botões. Queremos viver, amar e participar das decisões sobre o nosso país”.

    Por isso, diz ela, as mobilizações dos estudantes estão apenas no começo. “A tendência é crescer e passarmos de 150 escolas ocupadas em todo o país já neste fim de semana”. Até o momento já são 94 escolas ocupadas em alguns estados.

    A estudante Suany Scrassacata afirma ao G1 ser contra a retirada de sociologia, filosofia, artes e educação física do currículo escolar. “A gente está sofrendo um retrocesso. Tem escola pública fechada, por falta de estruturação. Nisso, ninguém trabalha, ninguém vê. Eles querem impor a escola sem partido, sem ao menos arrumar as nossas escolas. A estrutura das nossas escolas está caindo aos pedaços”.

    Já o professor Kico conta que os docentes, além de apoiarem essas bandeiras da juventude em defesa de uma educação pública inclusiva, estão contra o projeto do Executivo paranaense que corta verbas e salários dos servidores (leia mais aqui).

    Lanes conta ao Portal CTB que há escolas ocupadas no Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, São Paulo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso. E crescendo porque a “PEC 241 é o principal mecanismo dos golpistas para acabar com os sonhos de uma geração inteira”.

    Tropa de choque ameaça jovens em São Paulo 

    Cercados pela tropa de choque da Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin, também do PSDB, os estudantes que ocupavam a Escola Estadual Caetano de Campos decidiram desocupar na noite do sábado (8).
    Mas “continuaremos firmes na mobilização para a resistência ao desmonte da educação pública”, afirma Emerson Santos, o Catatau, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes).

    E para piorar, os universitários paulistas prometem manifestação em São Paulo nesta terça-feira (11) porque o Ministério da Educação não está horando o compromisso com as universidades referente ao programa Financiamento Estudantil (Fies). A presidenta da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), Flávia Oliveira, disse à jornalistas Laís Gouveia que a situação preocupa. “Desde que Temer assumiu, a transferência não é feita para as universidades, e tem muitas delas que sobrevivem com 97% da sua arrecadação através do Fies, ou seja, se não há o pagamento, muitas instituições de ensino superior fecharão as portas. Na PUC São Paulo, por exemplo, o governo deve R$ 8 milhões em repasses e a reitoria transfere esse problema para os estudantes bolsistas, alegando que, se não houver o pagamento, os beneficiários terão que pagar suas mensalidades por conta própria”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Liderados pela União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), dezenas de jovens acamparam na noite da terça-feira (13) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para forçar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Merenda “a investigar pra valer e punir os responsáveis pelo desvio da merenda escolar no estado”, diz Emerson Santos, o Catatau, presidente da Upes.

    A CPI da Merenda só foi instalada após muita pressão dos estudantes (leia mais aqui). Nesta quarta-feira (14), O depoimento mais aguardado é do presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), acusado por diversos delatores de ser o principal beneficiário do esquema (saiba mais aqui).

    Acompanhe o que disse Fernando Capez à CPI da Merenda 

    Em seu depoimento, Capez nega todas as acusações. “Jamais interferi por ninguém. Nunca conversei com o Padula (Fernando, ex-chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Educação, também acusado) na minha vida”, jurando inocência.

    “Muitas reuniões da CPI têm acontecido a portas fechadas e isso não pode mais ocorrer. Quem não deve não teme, mas quem é acusado de desvios de dinheiro público deve explicações para a sociedade, ainda mais sobre algo tão grave como tirar comida de crianças”, afirma Catatau.

    acampamento alesp upes cpi merenda

    Crédito: Jornalistas Livres

    A reunião começou às 10h. Cerca de 25 estudantes conseguiram entrar para acompanhar, mas não sem repressão policial antes de serem autorizados. Ao menos dois foram detidos, denuncia a Mídia Ninja, com vários feridos. Inclusive um jovem com menos de 18 anos foi detido pela Polícia Militar, conta Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

    Veja ação da PM do governador Geraldo Alckmin  

    Por isso, “estamos acompanhando todos os passos desta CPI para não acabar em pizza”, afirma Catatau. “Alguém tem que punir os ladrões da merenda, porque não permitiremos que enganem a sociedade e os estudantes paulistas fiquem sem merenda por causa de falcatruas”. A palavar de ordem da Upes é "resistir e ocupar até a punição dos ladrões da merenda".

    Leia mais

    Quem vai prender os ladrões da merenda no estado de São Paulo?

    Cadê a merenda de nossas crianças, Geraldo Alckmin?

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

    Foto destaque: Pedro Lopes, Mídia Ninja

  • Dia 3 de maio de 2017, completou um ano da ocupação do maior parlamento brasileiro, a Alesp. Ao ocuparmos a Assembleia Legislativa de São Paulo, consolidamos a maior ação de combate à corrupção da história do movimento estudantil, enfrentando diretamente os escândalos de corrupção do governo do estado de São Paulo ligados ao roubo da merenda escolar.

    A pauta era única e muito objetiva: a instalação da CPI da merenda. Não era possível aceitarmos a ideia da existência de ladrões de merenda em um dos maiores e mais ricos estados da federação. A indignação foi tamanha à crueldade que é tirar comida da boca de crianças e jovens estudantes da escola pública paulista. Era preciso radicalizar.

    Mergulhados em uma conjuntura nacional muito conturbada, marcada por uma série de manifestações pró e contra governo, parecia impossível acreditar que os estudantes voltariam a ocupar de forma tão radical, em tão curto espaço de tempo, e que a partir dali eclodiria a segunda onda de ocupações secundaristas. Desta vez de caráter essencialmente democrático e contra a PEC 55 e a Reforma do Ensino Médio proposta pelo governo Temer.

    Meses anteriores, ainda no final de 2015, abríamos alas para a primavera secundarista, ao ocuparmos mais de 200 escolas contra o projeto de reorganização do Alckmin e a sua tentativa de fechamento das escolas.

    O ano de 2016, quando o Ministério Público deflagra a Operação Alba Branca, ainda sob o calor das ocupações do final do ano anterior, somado a falta de merenda nas escolas técnicas, ocupamos o Centro Paula Souza que desencadeou em 15 ocupações em escolas técnicas paulistas que dentre suas pautas, carregava a bandeira da CPI da Merenda.

    Nesse contexto, acontece o 18° Congresso da Upes em que estudantes ao eleger a nova direção da entidade, elegem como mote principal da luta estudantil, a luta pela punição dos ladrões de merenda. Três dias depois, ocupamos a Alesp.

    “ Foram quatro dias de ousadia, resistência e luta. Pela primeira vez na história da Alesp e do estado de São Paulo o povo se viu representado neste importante espaço”. Escrevíamos ali, mais uma página da história de luta e conquista dos estudantes e a educação.

    A partir dali, a ocupação não era mais nossa. Professores, pais, artistas, movimentos sociais e gente de todo lugar assumiram esta luta.

    As noites mal dormidas sob a luz de centenas de refletores e um ar condicionado muito gelado, era reconfortada ao som das batucadas e dos gritos de apoios dos lutadores e lutadoras que acamparam em frente a Assembleia. Não estávamos sozinhos.

    Artistas de todos lugares vieram nos alegrar, trazer cultura, música, poesia, mensagem de luta e esperança. Em especial recordamos de Chico César, que compõe a música “Mel da Mocidade” para homenagear a luta dos estudantes. Também, fazemos referência ao ator Gero Camilo, que mais tarde montaria sua peça “Razão Social” que tem toda a sua abertura com o jogral que realizamos ao sair da Ocupação.

    Foram dias oscilando entre momentos de tensão, estresse e muitas dificuldades, mas também de alegrias, aprendizado e companheirismo.

    Simulamos nós deputados e o que defenderíamos para o nosso povo. Éramos nós o povo. Pela primeira vez ocupando a nossa casa. Resistimos, mas brilhamos também, com o “Alesp Fashion Week” Brilhar e Resistir (desfile de cobertores).

    Vinte sete dias depois é instalada a CPI da Merenda.

    Uma história que sua grandiosidade não termina em seu feito, o de ocupar. Mas sobre tudo no processo de luta e resistência construído durante quase um ano.

    Poucos falam disso. Mas a verdade é que esta foi a CPI, talvez a única da história do parlamento paulista, em que os estudantes e o povo acompanhou. Foram 22 sessões da CPI em que a nossa presença fez todo a diferença.

    Já no primeiro dia de sessão, tivemos que lutar para garantir que as sessões fossem abertas. Queriam impedir que os estudantes acompanhassem a CPI.

    O dia mais esperado por nós, o depoimento do principal político citado na operação, Fernando Capez, o então presidente da ALESP, foi marcado mais uma vez pela truculência de uma PM a mando do presidente da comissão e desta casa. A noite anterior havíamos acampado em frente ALESP ansiosos por ocuparmos as cadeiras de todo plenário. Fomos recebido com as portas fechadas. Gás de pimenta e cassetete. O sangue de um secundarista foi derramado. Mancharam de sangue a CPI da Merenda.

    No último dia de sessão, 13 de dezembro, o resultado final do relatório, não para nossa surpresa, resulta em zero políticos sentenciados e dois estudantes detidos. Afinal, com uma comissão formada totalmente pela base de apoio do governo e do mesmo partido do principal apontado, Capez, não era de se esperar muito.

    Apesar da não punição dos ladrões de merenda, o que fica é uma verdade inabalável: ao lado do povo, fomos responsáveis por desmontar uma organização criminosa, um escândalo de corrupção, a maior máfia da merenda.

    Rompemos com a blindagem midiática que sempre isentou Alckmin e seu partido das corrupções e escândalos que estiveram e estão envolvidos. Foram obrigados a noticiar e transmitir a nossa luta.

    Provocamos uma discussão nacional a cerca da merenda escolar e recolocamos novamente no centro da sociedade o debate da escola pública. Quatro dias que se tornaram reportagem por mais de trinta minutos na rede globo, filmes, documentários, vídeos, entrevistas, por todos lugares. Tornaram - se peças, músicas e estudos de doutorado.

    Nunca antes da história, o nome “secundarista” foi tão popularmente conhecido. E o quanto que se tornou sinônimo de luta e ocupação.

    Fomos visto e ouvidos. Talvez não tenhamos dimensão do lastro e do legado social. Talvez ainda não tenhamos nem caído a ficha da grandiosidade destes dias e desta luta.

    Só assumimos, com responsabilidade, a luta do nosso tempo. Unidade, coletividade e um objetivo comum nos fizeram chegar até aqui. Demonstramos força. Não desistimos. Ecoamos ao Brasil um grito de esperança e democracia. E de que nada passará, sem participação e aceitação popular.

    Sim!! Nós podemos e queremos construir e eleger a nova escola. Um estado e um Brasil justo e livre de corrupção. O que só será possível com pleno exercício da Democracia, que inicia dentro da escola. Imposições e autoritarismo não cabem para nós.

    Para isso, uma outra verdade inabalável, que o caminho é a luta. Só ela muda e transforma vidas e sociedades.

    Estamos apenas começando.

    Emerson Santos, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas. Foto: Christian Braga

  • Notícia de primeira mão. Mostrando total despreparo para a democracia, a Guarda Municipal de Mauá agrediu um grupo de estudantes que ocupou a Câmara Municipal da cidade. O presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), Emerson Santos (Catatau), foi agredido e está preso.

    “Eles bateram nele e o levaram sangrando para a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), porque abriram a cabeça dele e em seguida o prenderam”, denuncia Renato Ribeiro, presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Mauá.

    emerson santos upes presidente

    Catatau na ocupação da Assembleia Legislativa de São Paulo, que conquistou a CPI da Merenda no estado

    Os jovens ocuparam na tarde desta terça-feira (2) o plenário da Câmara.  “O objetivo era forçar a instauração da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Merenda para investigar as acusações de superfaturamento da merenda escolar no município”, diz Ribeiro. "Além de protestarmos contra a precariedade do transporte público na nossa cidade e pelas acusações de desvios na compra de sacos de lixo”.

    Segundo ele, a ocupação ocorreu de forma pacífica. "Mas a guarda municipal, seguindo ordens do presidente da Câmara, Marcelo Oliveira (PT) e do prefeito Donisete Braga agiu com truculência e prendeu o Catatau e o nosso militante Marcelo Oliveira”, denunciou Ribeiro.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Pegou muito mal a medida provisória 746, com proposta de reformulação do ensino médio. Com a reação popular, o governo golpista se viu forçado a recuar. Principalmente por causa do retrocesso da MP. E a intenção de enxugar o currículo e de tornar as matérias de artes, educação física, sociologia e filosofia como facultativas.

    O Ministério da Educação (MEC) disse que cometeu um erro e essas matérias continuarão sendo obrigatórias, mas quem acredita?. O ministro Mendonça Filho diz que no último ano é que os estudantes terão que escolher entre exatas e humanas.

    Mesmo com o recuo do MEC, a presidenta do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG), Valéria Morato, acredita que essa reforma atende aos interesses do grande capital, em detrimento da educação pública. "Volta a ideia do Estado Novo, para formar as pessoas para o mercado de trabalho sem pensar no entendimento de Nação”, diz.

    Para Morato, essa “é uma investida da Escola Sem Partido que quer impor uma linha única de pensamento." Ela também ataca a proposta de privilegiar o ensino de inglês e excluir o espanhol. “Não querem que dialoguemos com os povos da América Latina".

    Por que impedir de pensar?

    O vocalista do grupo Detonautas, Tico Santa Cruz, postou em sua página do Facebook um texto detonando a MP golpista. “Qual o objetivo por trás da retirada de artes, sociologia, filosofia do currículo das escolas no ensino médio?”, questiona.

    reforma ensino medio frota

    E responde que  o objetivo é simples. “Tirar o senso crítico e a capacidade dos alunos de pensar a sociedade, a própria educação, a política e a cidadania”. De acordo com Cruz, as “artes estimulam a imaginação, a sociologia ensina os jovens a pensar e a filosofia apresenta ao aluno e à aluna os mais diversos tipos do pensamento humano”.

    Já a cantora e compositora Leci Brandão, deputada estadual pelo PCdoB-SP, não tem dúvidas do caráter desse desgoverno. "Seria muita inocência da nossa parte esperar que um governo não eleito, fruto de um golpe na democracia, mantivesse uma postura democrática tendo a caneta nas mãos”.

    Para ela, “é um desrespeito, um absurdo, passar por cima de tudo o que foi construído até agora com a participação de alunos, profissionais da educação, entidades e movimentos sociais”.

    “Esse projeto traz riscos à educação porque fragmenta o ensino, apresenta a possibilidade de condicionar a educação apenas de forma técnica, a partir dos cursos profissionalizantes. Esse processo acarretaria numa formação massiva de mão-de-obra barata”, pontua Emerson Santos, o Catatau, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes).

    Fontes do meio esportivo afirmam que os atletas estão proibidos de falar sobre questões políticas e que envolvam os programas sociais para atletas.

    Mas a jornalista esportiva Lu Castro, especialista em futebol feminino, diz que se o ensino médio perder as aulas de educação física, “o desenvolvimento do esporte olímpico no país terá ainda mais dificuldades”. No caso do futebol feminino, por exemplo, “não será atrativo para as meninas e continuará não acontecendo”.

    Educação para robôs

    Tico Santa Cruz afirma que “não querem pensadores, querem reprodutores, robôs, que não questionarão nada. Conhecimento nunca é demais e o medo deles (golpistas) é que nós tenhamos conhecimento”.

    O artista mata a xarada. “Mas para quem pode pagar estas matérias estarão no currículo, ou seja, quem vai continuar pensando a sociedade”? Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação aprofunda um pouco mais a questão à repórter Laís Gouveia do Portal Vermelho.

    "A MP é totalmente dissonante das discussões atuais sobre o ensino médio. Discorda dos debates da Conferência Nacional de Educação e das melhores pesquisas sobre essa etapa feitas aqui e no mundo, que dizem basicamente que uma reforma do ensino médio feita sem envolver alunos e professores tem enormes chances de dar errado", reforça.

    Cara chama atenção para a questão do financiamento. Segundo ele, a proposta "liberaliza demais a distribuição de recursos para a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio Integral. A transferência de recursos financeiros prevista para esse fim será efetivada automaticamente pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), dispensada a celebração de convênio, acordo, contrato ou instrumento congênere, mediante depósitos em conta corrente específica. Segundo, o texto legaliza parcerias público-privadas".

    Assine aquiuma petição do site Avaaz contra a reforma autoritária e esdrúxula do ensino médio.

    Resistência

    Para o enfrentamento ao projeto do governo golpista, foi criado o Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio, composto por dez entidades ligadas à educação. O novo movimento defende que o ensino médio seja compreendido como educação básica.

    Portanto, “deve ser comum e de direito a todos e todas”. Assim, o ensino médio não pode ficar circunscrito “em migalhas que configuram uma ameaça à educação básica pública e de qualidade para os filhos e filhas da classe trabalhadora”, diz em seu texto de apresentação.

    Valéria Morato ressalta ainda uma preocupação sobre os impactos da MP nos profissionais da educação. "Sem a exigência do diploma, os professores dessas disciplinas vão ter no mínimo metade do mercado de trabalho cortado".

    Mesma preocupação de Xavier Filho, diretor Jurídico do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica. Ela argumenta que “aumentar a carga horária dos professores, muitas vezes forçados a trabalhar em até três escolas para complementar o salário, prejudicará os ganhos desses profissionais”.

    A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) divulgou nota repudiando a MP anti-educação pública. “Acima de tudo, nós, estudantes secundaristas brasileiros, queremos participar e opinar sobre essa nova escola e a reforma do ensino médio (...) Convocamos a todos os setores e movimentos da educação, cultura e esporte a se somarem na luta contra mais esse gesto autoritário de um governo ilegítimo que ameaça o futuro da nossa juventude com um ato agressivo contra a educação brasileira”.

    Leia mais

    Reforma do ensino médio e PEC 241 liquidam com a educação pública

    Ministro da Educação quer a volta das aulas de Educação Moral e Cívica nas escolas

    Ministro da Educação anuncia reforma-relâmpago sem participação dos professores

    Conquistas da educação correm riscos com projetos privatistas do governo golpista

    Projeto ‘escola sem partido’ repete dogmas do nazismo

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com colaboração de Mariana Arêas, de Belo Horizonte

  • Manifestantes na Câmara Municipal de Mauá em defesa da CPI da Merenda já

    Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), Emerson Santos, o Catatau, diz que a Guarda Civil Metropolitana de Mauá, no ABC Paulista, “bateu gratuitamente” nos jovens que ocuparam a Câmara Municipal da cidade em defesa de instauração da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Merenda, nesta terça-feira, 2 (acesse aqui).

    Ele agradece as mensagens de solidariedade e afirma que essa truculência “fortalece a luta”. E complementa dizendo que os estudantes secundaristas "continuarão ocupando os espaços que forem necessários em defesa de uma educação de qualidade e na caça de todos os ladrões da merenda”.

    Veja o presidente da Upes, Catatau 

    Os Jornalistas Livres mostram um vídeo com a truculência policial. “Mesmo depois de ter levado cacetadas, estar rendido e com a cabeça sangrando, Catatau - que chorava de dor - foi posto de joelhos por um brutamonte que quase quebrou seu braço”, diz texto deles.

    O presidente da Câmara de Mauá, Marcelo Oliveira (PT) disse ao "Diário do Grande ABC" que “toda manifestação tem de ser respeitada. Mas começaram a jogar algumas coisas e depois pularam no plenário e a guarda está aqui para quê? Para tomar conta do patrimônio. A maioria dos manifestantes é candidato a vereador”.

    Assista a violência contra os estudantes em Mauá (SP) 

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy