Sidebar

19
Sex, Jul

cotas raciais

  • A Universidade de São Paulo (USP) foi a última instituição de ensino superior estadual a adotar uma política de cotas para negros e indígenas e para estudantes oriundos de escolas públicas, no seu vestibular, a Fuvest.

    “Demorou, mas chegou. Uma grande vitória do movimento negro e de todos que defendem uma educação democrática e de qualidade”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Para ela, “a dificuldade e a demora da USP em entender a necessidade de cotas para propiciar um futuro de oportunidades iguais, mostra como é difícil a luta antirracista no Brasil. Afinal são mais de cinco séculos que martelam em nossas cabeças que negros e negras são inferiores”.

    A jornalista Victória Damasceno da CartaCapital, afirma que “a proposta foi apresentada pelo Núcleo de Consciência Negra da USP e protocolada pelo Conselho de Graduação no dia 18 de maio. O documento original enviado pelo núcleo seguia a lei de cotas de 2012, que reserva 50% das vagas para alunos de escolas públicas e destas, 37,5% para candidatos autodeclarados pretos pardos e indígenas (PPI), índice equivalente a proporção deste grupo no estado de São Paulo segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”.

    A discussão sobre um sistema de cotas para negros e indígenas começou ainda no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Ano em que a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) adotou a política de cotas em seu vestibular.

    No ano seguinte a Universidade de Brasília (UnB) também adotava uma política de cotas para o ingresso em seus cursos de graduação. “Com a possibilidade de adoção das políticas afirmativas com intuito de igualar as oportunidades para quem sempre foi marginalizado, criou ambiente conturbado e muita gente de meio acadêmico e a mídia em geral se posicionaram contra as cotas”, diz Custódio.

    Já Lidiane Gomes, secretária de Igualdade Racial da CTB-SP, diz que “é um alento muito grande a USP adotar as cotas na atual conjuntura, na qual estamos vendo nossas conquistas sendo retiradas por um governo e um Congresso extremamente conservadores”.

    Para ela, “a adesão da USP ao sistema de cotas, derruba a falsa argumentação de que a entrada de pobres e negros faz as universidades perderem qualidade. A experiência tem mostrado justamente o contrário, os pobres e negros têm se saído bem”.

    Em 2012, foi aprovada a Lei 12.711, regulamentada ainda no mesmo ano. A partir daí todas as instituições de ensino federal foram obrigadas a adotar as cotas.

    “Mesmo assim, as dificuldades para os negros e negras continuam porque o racismo impede que consigam trabalhos em locais determinados com lugares de brancos”, reclama Custódio.

    Além disso, diz Gomes, “as políticas afirmativas foram criadas para corrigir distorções da sociedade e propiciar oportunidades iguais para todas e todos, mas temos que mudar a mentalidade escravocrata que ainda perdura em nossa sociedade para que essa igualdade possa se refletir no mercado de trabalho e na vida”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: CEERT

  • No começo da noite desta quinta-feira (16), dezenas de estudantes negros da Universidade de São Paulo (USP) ocuparam a reitoria em defesa de cotas raciais em todos os cursos da universidade.

    O chefe do departamento de Jornalismo da Escola de Comunicação e Arte, Dennis de Oliveira, ativista do movimento negro, explica que houve uma reunião do Conselho de Graduação da USP para discutir as cotas raciais.

    De acordo com ele, a USP reservou 30% das vagas de todos os cursos para o Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e dentro desses 30%, uma cota para negros e escolas públicas. “O nosso movimento é exatamente para ampliar essas cotas para todas as vagas da USP, independente do Sisu”, afirma Oliveira.

    Já o estudante de História, Emerson Santos, diz que a ocupação é para haver uma reparação histórica para os negros e negras frequentarem os espaços públicos, como qualquer cidadão. "Os pretos, os pobres e os indígenas têm que falar sobre as suas vontades e necessiddes", diz.

    Para Santos, "não são os professores, que não conhecem a nossa realidade e não têm a nossa cor, que devem decidir por nós. Nós falamos por nós mesmos".

    O professor conta que a tropa de choque da Polícia Militar já cercou o prédio, causando tensão. “Os estudantes querem dialogar, porque existe um número muito pequeno de negros na USP e as cotas vêm para corrigir essa falha”.

    Os ocupantes pedem o apoio de todos e todas que puderem fortalecer essa luta. “Precisamos de muita gente presente para frear a repressão”, diz Oliveira. Ele também pede a presença de advogados populares de plantão.

    De acordo com Santos, "faz 10 anos que a USP se viu forçada a adotar um sistema de cotas raciais, mas enquanto, nesses 10 anos, a presença de negros nas universidades federais aumentou 230%, na USP não cresceu nem 10%, o que mostra que são cotas para inglês ver". Saiba mais pela página do Facebok do movimento Por que a USP Não Tem Cotas? 

    Agora , diz ele, "resolvemos ocupar o estacionamento da reitoria e estamos fazendo uma assembleia com cerca de 300 pessoas para decidir se mantemos a ocupação ou encaminhamos a luta de outra forma".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy